Dólar sobe e atinge R$ 2,20 após rebaixamento de perspectiva brasileira
A moeda norte-americana avançou 0,41% depois de despencar mais de 1,5% na véspera
Economia|Do R7

O dólar fechou em alta ante o real nesta quinta-feira, com parte dos investidores estrangeiros deixando o mercado brasileiro após a agência de classificação de risco Moody's rebaixar, na véspera, a perspectiva do rating do Brasil.
A moeda norte-americana avançou 0,41%, para R$ 2,2029 na venda, depois de despencar mais de 1,5% na véspera e ir abaixo de R$ 2,20. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,05 bilhão.
A Moody's colocou a classificação de risco do Brasil em perspectiva "estável", ante "positiva", citando a deterioração da relação entre a dívida bruta e o PIB (Produto Interno Bruto), o nível dos investimentos e o fraco crescimento. Apesar disso, a agência reafirmou o crédito a "Baa2", considerado grau de investimento.
O gerente de tesouraria do banco Daycoval, Gustavo Godoy, analisou o cenário:
— Embora todos esperassem a decisão da Moody's, quando ela ocorre isso traz pressão adicional e só reforça o cenário que as coisas estão complicadas para a nossa economia.
O espesialista lembrou que a decisão pode levar alguns fundos globais de investimento a reduzir as posições em ativos brasileiros.
O operador de um banco estrangeiro afirmou que recebeu orientações de alguns fundos para diminuir a exposição em alguns ativos brasileiros, sem citar quais.
— A redução da exposição não é grande, mas tem efeito no câmbio porque se trata de fluxo, disse o operador.
Ele disse que o efeito só não foi mais forte no mercado por conta do ambiente de intervenção diária do Banco Central. Nesta quinta-feira, o BC já vendeu 10 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 3 de fevereiro de 2014.
O BC anunciou ainda para sexta-feira leilão de venda de dólares com compromisso de recompra. A oferta será de até 1 bilhão de dólares, distribuídos entre duas etapas: entre as 11h15 e 11h20, os contratos terão data de recompra em 3 de dezembro de 2013; entre 11h30 e 11h35, a data de recompra será de 2 de julho de 2014.
O movimento de alta do dólar ante o real nesta sessão também era visto como uma correção do movimento visto no dia anterior, quando a divisa norte-americana despencou, ficando abaixo de R$ 2,20, na menor cotação em pouco mais de três meses.
O superintendente de câmbio da Intercam, Jaime Ferreira, afirmou:
— O dólar testou esse patamar de R$ 2,20 na última sessão, mas a tendência é que continue por aí, mesmo.
O economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, afirmou no chat Trading Brazil da Thomson Reuters que o mercado de câmbio deve ser guiado no curto prazo pelos desdobramentos no mercado externo.
Kawall, que foi secretário do Tesouro no governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva, afirmou:
— No curto prazo, há um viés de queda do dólar, mas esperamos R$ 2,25 ao final de 2013 e R$ 2,45 ao final de 2014, porque os juros nos EUA continuaram a subir com a força da economia e porque aqui nossos fundamentos externos exigem um cambio mais depreciado.
A paralisação do governo norte-americano e alguns dados mais fracos da maior economia do mundo alimentam apostas de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, pode manter seu programa de estímulo por mais tempo, deixando a liquidez nos mercados internacionais elevada.















