Dólar tem maior queda diária em quatro meses e vale R$ 3,65
Recuo de 2,29% da moeda norte-americana foi influenciado pelas trocas do governo
Economia|Do R7

O dólar fechou em queda de mais de 2%, a maior em pouco mais de quatro meses e que o levou ao patamar de R$ 3,65 nesta quinta-feira (17), com investidores apostando mais forte na eventual troca de governo após a divulgação de conversa entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff.
A moeda norte-americana recuou 2,29%, a R$ 3,6533 na venda, maior queda diária desde 3 novembro de 2015 (2,39%). A moeda norte-americana chegou a R$ 3,6033 na mínima do dia.
"A probabilidade de a presidente Dilma terminar o seu mandato é mínima", escreveram analistas da corretora Guide Investimentos em relatório.
Leia mais sobre Economia e ajuste suas contas
Dólar caro afeta preço do pãozinho, viagens e até eletrônicos
A divulgação da conversa levou à interpretação de que Dilma estaria entregando o termo de posse a Lula para protegê-lo de eventual ação da operação Lava Jato, já que sua chegada à Esplanada do Ministério o retira do alcance da primeira instância em Curitiba e lhe dá foro privilegiado junto ao STF (Supremo Tribunal Federal).
No fim da manhã, liminar de um juiz federal suspendeu a nomeação, argumentando que a nomeação coloca em risco o livre exercício do Poder Judiciário e das atuações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. A AGU (Advocacia-Geral da União) informou que vai recorrer da decisão judicial.
Com isso, o dólar manteve a tendência de queda vista no fim da sessão passada, após subir com força no início da semana conforme crescia a expectativa de que Lula assumiria um ministério.
"A leitura é que Lula não vai conseguir evitar o impeachment e isso impulsiona os ativos brasileiros", disse o superintendente regional de câmbio da corretora SLW, João Paulo de Gracia Corrêa.
Para boa parte do mercado financeiro, a troca de governo poderia resultar em maiores chances de recuperação da economia e o fim da crise política.
Com alta do dólar, turismo no Brasil ganhar força e 'salva' resultados de hotéis
O movimento do dólar nesta sessão também vinha em sintonia com os mercados externos, onde a moeda norte-americana recuava após o Federal Reserve projetar menos altas de juros neste ano. A manutenção de juros baixos pelo banco central norte-americano tende a favorecer ativos emergentes, que oferecem rendimentos elevados como os do Brasil.
Citando o cenário externo mais tranquilo, o BC anunciou que reduzirá a rolagem de swaps cambiais, contratos equivalentes a venda futura de dólares. Uma fonte do BC afirmou à Reuters que a decisão veio em reação à decisão do Fed e à menor demanda por swaps com o atual patamar do câmbio.
Operadores entenderam que a decisão tem como fim reduzir o estoque de swaps, equivalente a cerca de US$ 110 bilhões. Essas operações tendem a gerar custos ao BC quando o dólar sobe e contribuíram para elevar a dívida bruta e o déficit nominal no ano passado.
"O BC quer retomar o que começou no ano passado, quando começou a fazer rolagens parciais, e viu espaço para isso agora", disse o gestor de um banco internacional.
"Em termos de cotação, isso não muda a tendência. O destino do dólar depende do cenário político", acrescentou.
Nesta manhã, o Banco Central realizou mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem em abril com venda integral de 9.600 contratos. Até o momento, o BC já rolou US$ 6,003 bilhões, ou cerca de 60% do lote total para abril, que equivale a US$ 10,092 bilhões.















