Dólar volta a subir e fecha a terça-feira cotado a R$ 3,81
Moeda norte-americana avançou 1,36% em dia marcado pela queda dos preços do petróleo
Economia|Do R7

O dólar fechou com alta de mais de 1% sobre o real nesta terça-feira (8), refletindo o ambiente de aversão a risco nos mercados internacionais diante de dados fracos sobre a economia da China e da queda dos preços do petróleo, movimento exacerbado pelo baixo volume de negócios.
No fechamento da sessão, a moeda norte-americana avançou 1,36%, a R$ 3,81 na venda. Na mínima do dia, a divisa norte-americana chegou a recuar a R$ 3,7446, com investidores entendendo que as tensões entre o vice-presidente Michel Temer e a presidente Dilma Rousseff poderiam dar força à campanha pelo impeachment.
"A queda [do dólar] na abertura aconteceu por fatores políticos, mas o cenário externo piorou tanto ao longo da manhã que não deu mais para ignorar", disse o operador de uma corretora internacional, sob condição de anonimato, ressaltando que o quadro de incertezas limitava a liquidez e deixava o mercado mais sensível.
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Dados fracos sobre o desempenho comercial da China em novembro alimentaram preocupações com a desaceleração da segunda maior economia do mundo, levando investidores a evitar ativos de maior risco.
As preocupações ganharam mais força no fim da manhã após os preços do petróleo passarem a cair, com o contrato norte-americano chegando a recuar abaixo de US$ 37 o barril pela primeira vez desde 2009.
Investidores ressaltaram especialmente o avanço do dólar em relação ao peso mexicano, que foi bastante afetado pelo tombo do petróleo no fim da manhã.
"Temos toda a indefinição política local e lá fora também não é um dia bom para países relacionados a commodities", disse o economista da Tendências Consultoria Silvio Campos Neto.
O recuo do petróleo serviu de gatilho para que o dólar revertesse a queda sobre o real, vista no início dos negócios em reação à carta de Temer a Dilma, destacando "fatos reveladores da desconfiança que o governo tem em relação a ele e ao PMDB".
Embora Temer não tenha proposto explicitamente o rompimento com Dilma, operadores entenderam que não há outra alternativa. Eles acreditam que a notícia dá força ao lado que defende o impeachment contra a presidente, perspectiva que tem sido, de maneira geral, bem recebida pelo mercado.
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"Conforme vai se distanciando o PMDB do governo, vai ficando mais forte a hipótese do impeachment", disse o operador de câmbio da corretora B&T Marcos Trabbold.
A notícia vem no momento em que tramita no Congresso Nacional o processo de abertura de impeachent contra Dilma. Foi adiada para esta terça-feira a eleição da comissão especial da Câmara dos Deputados que analisará o tema, contrariando o governo, que quer que a matéria seja votada o mais rápido possível.
Muitos operadores acreditam que eventual mudança no governo poderia facilitar a recuperação da economia brasileira. Alguns ressaltam, porém, que o processo pode paralisar o ajuste fiscal e provocar rebaixamentos da nota soberana do País.
Outro fator que chegou a trazer alívio para o câmbio nesta sessão foi a atuação do Banco Central, que voltou a realizar nesta tarde leilão de venda de até US$ 500 milhões com compromisso de recompra. A operação, segundo a assessoria de imprensa do BC, não teve como objetivo rolar contratos já existentes.
Pela manhã, o BC também deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em janeiro, com oferta de até 11.260 contratos, que equivalem à venda futura de dólares. Até agora, a autoridade monetária já rolou o equivalente a US$ 3,286 bilhões, ou cerca de 31% do lote total, que corresponde a US$ 10,694 bilhões.















