Economia brasileira teve recessão de 3,8% em 2015, segundo FGV
Monitor mensal da atividade econômica mostrou que a indústria caiu 6,6% no ano passado
Economia|Do R7

O monitor do PIB (Produto Interno Bruto) feito pela FGV (Fundação Getulio Vargas) mostra que 2015 foi marcado pela contínua e intensa deterioração da atividade econômica terminando o ano com queda de 3,8%, de acordo com dados divulgados nesta segunda-feira (22).
Na semana passada, o BC (Banco Central) divulgou que, pelo seu indicador — IBC-BCR —, o PIB encolheu mais de 4% no ano passado.
Segundo a FGV, a indústria teve queda de 6,6% e os serviços, de 2,5%. “No momento, não há qualquer indicação de reversão nesse quadro. Entre os componentes da demanda apenas Exportações se mostram positivas graças, principalmente, às commodities agrícolas e minerais”, afirma Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV.
Neste número, com informações até dezembro, o monitor do PIB-FGV informa ainda que, mensalmente, a taxa do PIB tem se reduzido desde março de 2014, tornando-se negativa a partir de janeiro de 2015.
Leia mais sobre Economia e ajuste suas contas
R7 Play: assista à Record onde e quando quiser
A taxa do quarto trimestre, contra o mesmo trimestre do ano anterior, apresenta queda de 5,6%. Já na comparação mensal, contra o mesmo mês do ano anterior, é negativa em 5,9%, a pior queda desde 2000, nesta comparação.
Em termos de taxas dessazonalizadas estima-se que o PIB recuou 1,2% no quarto trimestre, em relação ao terceiro trimestre. Este é o quarto trimestre consecutivo a apresentar taxa negativa em relação ao imediatamente anterior.
Das 12 atividades que compõem o PIB, sete apresentaram retração no ano de 2015, com destaque para as indústrias de transformação (-9,7%) e construção (-8,9%), e para os serviços de comércio (-8,7%) e transporte (-6,3%). A indústria extrativa mineral com crescimento de 4,7% e a agropecuária com 1,5% são os destaques positivos entre as atividades.

Em termos da demanda, a FBCF (Formação Bruta de Capital Fixo) liderou o processo recessivo a partir de agosto de 2014 e encerra o ano de 2015 com queda de 14,7%, comparativamente a 2014. Seu componente ‘máquinas e equipamentos’ apresenta em 2015, comparado com 2014, queda de 26,1%.
O consumo das famílias apresenta em 2015 queda de 3,5% comparado a 2014. Seu principal componente (cerca de 50%), os serviços (transportes, outros serviços, aluguéis, etc.), termina o ano de 2015 com taxa negativa de 0,9% comparado a 2014.
O segundo componente mais importante, os bens não duráveis (alimentos, bebidas, combustíveis, etc., com 27%, em média de participação), termina o ano de 2015 com queda de 2,3% comparado a 2014.
O agregado dos bens semiduráveis (vestuário, borracha, plásticos, etc.) registrou -6,9%. Enquanto que o agregado de bens duráveis (veículos, eletrodomésticos, nacionais e importados) encerrou o ano de 2015 com queda de 15,3%, comparado a 2014.
As exportações apresentaram, no ano de 2015, crescimento de 5,7% comparado com 2014. Três aspectos chamam a atenção: a reversão da tendência declinante da taxa acumulada em 12 meses dos produtos industrializados, a partir de março de 2015, encerrando o ano com crescimento de 4,6%; o ótimo desempenho dos produtos agropecuários (17,5%) e da extrativa mineral (18,7%).
As importações, cujas taxas acumuladas em 12 meses eram elevadas, começaram a desacelerar a partir de janeiro de 2014, e encerraram 2015 com queda de 14,5%, comparado a 2014. A importação de produtos industrializados caiu 14,8% em 2015. Os destaques nessa categoria são os bens de consumo duráveis (-24,5%), bens de capital (-17,9%) e os bens intermediários (-15,5%).













