Em ata, Copom vê ‘cenário deteriorado’ da inflação e sinaliza mudança de postura
Além desse indicador, comitê vai considerar aspectos como a guerra no Oriente Médio e os impactos do El Niño nas próximas definições
Economia|Giovana Cardoso, do R7, em Brasília
LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O BC (Banco Central) divulgou, na manhã desta terça-feira (23), a ata da mais recente reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), que resultou no corte da Selic — a taxa básica de juros do país — em 0,25 ponto percentual, de 14,5% para 14,25% ao ano.
Apesar dessa redução, o comitê entendeu que, devido ao “forte aumento da incerteza” e a um cenário da inflação que teria se “deteriorado” desde a decisão anterior, o grupo deveria considerar “diferentes trajetórias” para a taxa básica de juros.
Leia Mais
Ainda segundo a ata da reunião do Copom divulgada pelo BC, as futuras decisões sobre a Selic serão tomadas a depender da evolução do cenário econômico, com “serenidade e cautela”. Além da inflação, o documento menciona a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã e impactos do super El Niño como fatores que vão pesar para essas definições.
Ainda assim, o Banco Central entendeu que a decisão pelo corte da Selic foi a mais “adequada” para o momento, justamente por deixá-la próxima do previsto no boletim de mercado Focus, o que evitaria “induzir volatilidade excessiva nos preços dos ativos financeiros e agregados [...], com efeitos potencialmente contraproducentes à [...] convergência da inflação à meta”.
“No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção de alta para os preços, o comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, informou o Copom.
Também segundo o texto, a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para mais perto da meta — de 3,00% em 2026 —, sem prejudicar a estabilidade dos preços, o nível de atividade econômica e o fomento de empregos.
O que é a Selic?
A Selic representa o principal instrumento de controle do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). Taxas elevadas encarecem o crédito, limitam o consumo e a produção, além de poderem desacelerar o crescimento econômico.
Na prática, elevações na Selic aumentam os juros aplicados a financiamentos, empréstimos e cartões de crédito, o que desestimula a demanda e contribui para a contenção da inflação. Apesar disso, os bancos também definem essas taxas cobradas com base em fatores como inadimplência, custos e margem de lucro.
Quando a Selic está reduzida, a expectativa é de que o crédito fique mais barato, o que incentiva o consumo e aquece a economia; quando ocorre o contrário, a tendência é de encarecimento dos empréstimos e de redução dos gastos da população.
Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da RECORD, no WhatsApp













