Governo pressiona para que BC comece a reduzir taxa de juros ainda este ano
O mercado financeiro acredita que a taxa básica de juros ficará estável até março de 2017
Economia|Do R7

Desde que o Copom (Comitê de Política Monetária) decidiu mudar a rota da política monetária e manter a taxa de juros no patamar de 14,25%, a expectativa no governo passou a ser de que o BC (Banco Central) comece a apontar para queda dos juros ainda este ano.
A pressão de setores influentes do governo, das áreas política e econômica, vem aumentando, principalmente após dados fracos de grandes economias, como a americana e a japonesa, apontarem para uma deterioração do quadro internacional, com reflexo na inflação brasileira.
A pressão pela queda dos juros é vista por interlocutores do Palácio do Planalto como natural, dentro de um cenário de recessão econômica, mas não significa uma "ordem" para o BC reduzir os juros.
"Tem de qualificar. É uma pressão do debate público", disse uma fonte, que considera que o BC não pode ter uma posição de isolamento em relação ao que acontece no resto do governo e da sociedade.
"Por que o diretor do BC estaria insulado e independente dessas pressões que pesam sobre todo o Ministério da Fazenda e o governo?", questionou.
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A conjuntura internacional mais complicada foi a justificativa para o sinal repentino passado pelo presidente do BC, Alexandre Tombini, há 15 dias. De forma inédita, ele passou um recado no primeiro dia do Copom, que se reúne para decidir sobre o rumo dos juros, sobre a "significativa" mudança nas projeções do FMI (Fundo Monetário Internacional) para a atividade brasileira.
A avaliação do governo — que também condiz com a interpretação feita pelos analistas do mercado financeiro — é que o tom do BC ficou mais ameno sobre a inflação, ainda que a instituição diga permanecer "vigilante" em relação à alta dos preços. Com isso, cresceu no Planalto e na área econômica a perspectiva de que novos recados sejam dados pela autoridade monetária, ao longo do segundo semestre, em direção à trajetória de queda dos juros.
O raciocínio é de que, com a inflação ainda resiliente e uma deterioração do mercado internacional, o Banco Central precisa se preparar para tudo — até mesmo baixar os juros. Se os sinais vindos do exterior continuarem apontando para um enfraquecimento da atividade de potências econômicas, o principal cuidado que o Copom precisará tomar é com a comunicação sobre seus próximos passos, já que sua credibilidade voltou a ser arranhada após o episódio do FMI.
Projeção
As expectativas para a inflação são agora o ponto nevrálgico das discussões dentro do BC. E elas não param de subir, como mostrou mais uma vez o último Relatório de Mercado Focus. Apesar disso, o mesmo levantamento trouxe, pela primeira vez, a expectativa de que a Selic seguirá estável até março do ano que vem. Para alguns especialistas, o próximo passo do Focus pode ser a redução das previsões para os juros no médio prazo. Se isso se confirmar, será mais um ponto para aumentar essa percepção de queda da Selic, segundo apurou o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.
Até lá, espera-se que Tombini ainda tenha tempo de administrar a falta de consenso dentro do colegiado, já que as duas últimas decisões foram divididas por seis votos pela estabilidade contra dois pelo aumento. No BC, a divisão é vista como salutar, já que o argumento é o de que cada membro do colegiado tem a própria cabeça. De qualquer forma, a "torcida" pelos juros mais baixos já ecoou no BC, como admitem fontes.
O próximo encontro do Copom será daqui a um mês, quando novos indicadores poderão mostrar com mais clareza como está a situação externa e os possíveis impactos para a economia brasileira. A maior diferença entre as duas correntes do Copom é o lugar de cada um dos fatores na equação: a fatia majoritária aposta que os impactos externos levarão a uma queda da inflação e, consequentemente, das expectativas. Já os votos dissidentes acreditam que as projeções é que são fator determinante para que o IPCA desacelere de forma consistente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.












