Hotéis de luxo improvisam para atrair clientes ricos na Copa
Rede internacional montará hospedagens provisórias apenas para o Mundial
Economia|Vanessa Beltrão, do R7

Durante a Copa do Mundo, 3,7 milhões de brasileiros e estrangeiros gastarão cerca de R$ 6,7 bilhões em viagens pelo País, segundo estimativas do Ministério do Turismo. De olho nessa grana, alguns hotéis cinco estrelas prepararam programações especiais e até improvisos para atrair os clientes mais ricos.
A rede internacional Design Hotels montou especialmente para a Copa um club house no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro, e uma beach house (“casa de praia”) em Paraty, também no litoral fluminense.
Segundo o diretor de Relações Públicas e Comunicação da Design Hotels, Pedro D’orey, a club house funcionará numa mansão da década de 1920, com cinco quartos, um bangalô e uma piscina privativa.
Já a beach house na histórica Paraty será em uma casa central da cidade com dois apartamentos, duas cabanas e uma piscina. Um barco estará à disposição dos hóspedes para passeios pelas ilhas e praias privativas da região. Toda a estrutura foi planejada para funcionar apenas para o período do Mundial (de 12 de junho a 15 de julho).
— [Até o momento], 90% da ocupação já está finalizada, sobretudo com muita gente conhecida que é cliente da Design Hotels e muitos designers e donos de hotel que vão acompanhar a Copa do Rio de Janeiro.
E a ocupação é elevada mesmo com os preços lá em cima. Para dormir em lençóis de cama 100% algodão e ter acesso à gastronomia gourmet, segundo a empresa, os interessados desembolsarão cerca de US$ 550 a diária (R$ 1.200) por quarto na club house, em Santa Tereza. Na beach house, o custo fica entre US$ 2.000 e US$ 2.500 (cerca de R$ 4.400).
— Temos recebido muita demanda, mas não tem sido possível concretizar, devido aos tipos reduzidos de habitações que temos. Estamos realmente 100% motivados para esta New Project Rio. Apostando muito, sobretudo no mercado brasileiro.
Recreação
Em uma das praias mais visitadas do Brasil, Porto de Galinhas (PE), a aposta é em atividades recreativas. O Summerville Beach Resort irá transformar um de seus salões em uma arena de futebol. Os hóspedes ganharão um kit com corneta, apito, entre outros itens. Tudo para fazer os turistas entrarem no clima.

Além disso, o espaço promoverá concurso de embaixadinhas, campeonatos de futebol de areia para adultos e crianças e escolinha de futebol.
Sérgio Paraíso, gerente de marketing e vendas da rede pernambucana Pontes Hotéis & Resorts, grupo que administra o Summerville, afirma que a ocupação durante o Mundial deve ser de 65%.
— Temos brasileiros e, em especial, um grupo de americanos que vêm assistir aos jogos e relaxar na estrutura do resort.
Toda essa programação tem um preço alto. O valor da diária em apartamento superior duplo custa R$ 980, já em apartamento de luxo, R$ 1.040. O resort também oferece acomodação em bangalô por R$ 1.560.
Luxo em alta
Apesar dos preços altos, os hotéis cinco estrelas estão com boas ocupações para a Copa do Mundo. Em alguns deles, não há sequer mais vagas.
Para o presidente nacional da Abih, Fermi Torquato, a explicação para isso é a pouca oferta.
— Tem poucos empreendimentos classificados como cinco estrelas. Quando você tem eventos desse porte, esses produtos são os primeiros que se esgotam.
Um dos mais famosos do Brasil, o Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, já está todo preenchido para o período do Mundial (12 de junho a 13 de julho). Até mesmo para a suíte com vista para o mar que custa R$ 6.800 a diária, fora a taxa de serviço, entre outros impostos, não há mais disponibilidade.
Hotéis das cidades-sede têm 45% dos quartos vazios
Empresários calculam prejuízos com a Copa do Mundo
A mesma situação é observada em São Paulo, que possui uma das menores taxas de ocupação em hotéis para o Mundial, de apenas 31%, segundo dados do Fohb (Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil). Mas a capital paulista não sofre quando o assunto é turismo de luxo.
O hotel Fasano, um dos mais requintados da cidade, já está sem vagas para a data de abertura (12 de junho) e semifinal da Copa do Mundo. Lá, as diárias são a partir de US$ 1.700 (cerca de R$ 3.700) com o tradicional café da manhã e internet incluso.
Nordeste
O R7 fez o mesmo levantamento no Nordeste, umas das regiões de maior potencial turístico do Brasil. Em Recife, que, junto com o Rio de Janeiro, possui a maior ocupação anual de hotéis do Brasil (85%), segundo a ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), há empresários estourando champanhe de felicidade.
É o caso do Hotel Atlante Plaza, localizado em frente a uma das praias mais famosas da capital pernambucana — Boa Viagem —, que está com uma média de 75% das vagas preenchidas para o Mundial. Para o dia 26 de junho, data da partida entre Alemanha e Estados Unidos, não há mais quartos disponíveis.
A diária em um apartamento duplo no Atlante Plaza não sai por menos de R$ 1.200. Além disso, o hotel está oferecendo, no período de 9 de junho a 1º de julho, pacotes com permanência mínima obrigatória de quatro dias, o que eleva os custos para quase R$ 5.000. O espaço oferece piscina aquecida e academia na cobertura.
No hotel Sheraton da Bahia, brasileiros, portugueses, suíços, franceses e até iranianos confirmaram presença. Para os dias 13 e 16 de junho, datas das partidas entre Espanha e Holanda e Alemanha e Portugal, respectivamente, a ocupação é superior a 95%.
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