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Ibovespa fecha em alta de 1,28% e ofusca tombo de Petrobras e BB

No primeiro pregão após disputa da Presidência, investidores dão a Lula benefício da dúvida quanto à formação do ministério

Economia|Do R7

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Ibovespa fecha em alta, mesmo com queda de Petrobras e Banco do Brasil
Ibovespa fecha em alta, mesmo com queda de Petrobras e Banco do Brasil

O Ibovespa fechou no azul nesta segunda-feira (31), no primeiro pregão após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vencer a eleição à Presidência, após um dia de grande oscilação. A percepção do risco potencial de uma contestação do resultado diminuiu com o passar das horas, o que ofuscou a forte queda de Petrobras e BB (Banco do Brasil).

Investidores também deram a Lula o benefício da dúvida quanto à formação de seu ministério, mas as atenções se concentram nas especulações sobre o nome de quem ocupará a pasta da Fazenda, bem como nas políticas econômicas, em particular a fiscal.


De acordo com dados preliminares, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, subiu 1,28%, a 116.004,79 pontos, após sessão volátil, em que chegou a 112.113,34 pontos na mínima (-2,12%) e 116.763,47 pontos na máxima do dia (+1,94%). O volume financeiro somava R$ 43,5 bilhões.

Com tal resultado, o Ibovespa acumulou uma alta de 5,42% em outubro, mês marcado por forte volatilidade por causa do processo eleitoral, além de expectativas relacionadas aos movimentos do banco central norte-americano para a taxa de juros dos Estados Unidos.


Alívio do mercado

"Na falta de um evento tipo Capitólio, houve um alívio", disse Frederico Sampaio, gestor de renda variável da Franklin Templeton, referindo-se à invasão do Capitólio dos Estados Unidos por apoiadores do então presidente dos EUA, Donald Trump, em 6 de janeiro de 2021, depois dele perder a eleição para Joe Biden. "Tinha um grande receio, principalmente dos estrangeiros."

O presidente Jair Bolsonaro (PL) não se manifestou desde a confirmação do resultado. A expectativa é de que ele quebre o silêncio ainda nesta segunda. Diversos chefes de Estado estrangeiros, incluindo os presidentes dos Estados Unidos e da China, já reconheceram a vitória de Lula, que assumirá em 1º de janeiro seu terceiro mandato.


A expressão de descontentamento veio de caminhoneiros favoráveis a Bolsonaro, que interromperam ou prejudicaram o fluxo de veículos em algumas rodovias do país durante todo o dia, em um movimento sem liderança clara e que não contava com a adesão de toda a categoria.

"Ninguém no mercado espera nada de especial do Bolsonaro", afirma o estrategista-chefe da casa de análise Inv, Rodrigo Natali, mas há um consenso de que o presidente vá reconhecer a vitória de Lula. Mesmo o movimento de caminhoneiros, acrescentou, parece não estar incomodando muito os investidores.


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A atenção agora se volta ao anúncio do ministério de Lula, particularmente a equipe econômica. A presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, disse que o partido começa a montar a equipe de transição nesta semana, com a indicação de quem coordenará o time que vai prepara a formação do novo governo.

Na visão de Alexandre Póvoa, sócio e estrategista da Meta Asset, a vitória de Lula, a princípio, só traz risco para as estatais, porque ele mesmo falou que vai acabar com o PPI (preço de paridade de importação) na Petrobras, e fazer do Banco do Brasil um indutor de crédito e crescimento.

Além disso, ele avalia que, com o Congresso alinhado mais à centro-direita, e com os governadores dos estados mais importantes na oposição, não há como Lula não ser obrigado a migrar para o centro, enquanto o Banco Central independente vai garantir uma transição tranquila na política monetária.

"Resta saber quem vai ser o ministro da Economia e sua política fiscal. E, nesse ponto, o mercado está dando o benefício da dúvida", diz Póvoa, afirmando também que o estrangeiro prefere Lula a Bolsonaro.

Não está descartada, porém, a chance de a volatilidade continuar elevada na bolsa paulista, conforme forem sendo divulgados os primeiros nomes e as políticas da equipe de Lula.

Nos Estados Unidos, Wall Street teve um dia negativo, com o foco do mercado se voltando para a reunião do Federal Reserve desta semana.

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