Impacto do transporte no orçamento das famílias dispara no último ano
Estudo da FGV Ibre mostra quais os itens mais relevantes nos gastos dos brasileiros; pesquisador analisa os resultados
Economia|Do R7, com RECORD NEWS
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No último mês, os três principais gastos apontados pela população foram alimentação, contas de serviços públicos e aluguel ou financiamento da moradia, mas o item que mais chamou atenção foi o transporte. Segundo os dados, ele passou a ocupar um espaço maior no bolso dos brasileiros em comparação com o mesmo período do ano passado.
Os dados fazem parte da 13ª edição dos indicadores de Qualidade do Trabalho da Sondagem de Mercado de Trabalho do FGV Ibre e foram melhor explicados pelo pesquisador do programa, Rodolpho Tobler, durante o Conexão Record News desta quarta (15).
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“O dado de 2025 mostrava que apenas 2% das famílias apontavam que o transporte era um gasto ali que ficava entre os três maiores dentro do orçamento da família. Agora, em 2026, isso chega a 27%. Então, mostra o quanto cresceu nesse período de um ano, mas especialmente nesses últimos quatro ou cinco meses”, disse.
“Quando a gente tem o aumento do preço do petróleo, acaba aumentando o combustível. Mas não fica limitado ao dia a dia das pessoas na questão de abastecer no posto de gasolina. Quando a gente vê que toda a nossa cadeia logística, a boa parte dela, é influenciada por esse preço do combustível, seja o transporte aéreo ou o transporte rodoviário”, argumentou o especialista.
Além disso, Tobler enfatizou que o encarecimento não ficou apenas no meio por onde os itens importados chegam; na verdade, segundo ele, quanto mais caro o preço do combustível, piores serão as condições de transporte dos alimentos ou mercadorias necessárias internamente no país, e até mesmo o valor do produto final.
“Ele [o preço] acaba transbordando para a economia como um todo, e aí passa a ser mais um risco para o trabalhador. [...] A gente vê os aumentos de preço, mas não é na mesma velocidade que a gente tem o aumento da renda. Então, por mais que o mercado de trabalho esteja positivo, que as pessoas estejam conseguindo trabalho, que até a renda esteja subindo, o que a gente vê é essa pressão de custo que acaba apertando mais o orçamento”, enfatizou.
Tobler ainda apontou que cerca de 30% das famílias brasileiras, devido aos efeitos práticos e cotidianos do encarecimento em cadeia, não conseguem quitar contas básicas do “dia a dia”.
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