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Juros do cartão de crédito chegam a 399,84% ao ano em dezembro

Essa é a maior taxa desde outubro de 1995, quando chegou a 459,53% ao ano

Economia|Do R7

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O cartão de crédito continua sendo a linha de crédito mais cara para o consumidor
O cartão de crédito continua sendo a linha de crédito mais cara para o consumidor

As taxas de juros nas operações de crédito subiram em dezembro do ano passado tanto para os consumidores (pessoa física) como para as empresas (pessoa jurídica). Essa foi a 15ª alta consecutiva dos juros.

Das seis linhas de crédito para os consumidores pesquisadas — juros do comércio, cartão de crédito rotativo, cheque especial, CDC-bancos-financiamento de veículos, empréstimo pessoal (bancos) e empréstimo pessoal (financeiras) —, todas tiveram suas taxas de juros elevadas no mês.


A taxa de juros média geral para pessoa física apresentou uma elevação de 0,13 ponto percentual no mês (3,46 pontos percentuais no ano) correspondente a uma elevação de 1,75% no mês (2,54% em 12 meses), passando de 7,43% ao mês (136,32% ao ano) em novembro/2015 para 7,56% ao mês (139,78% ao ano) em dezembro/2015, a maior taxa de juros desde janeiro/2009.

O cartão de crédito continua sendo a linha de crédito mais cara para o consumidor. Os juros do cartão tiveram uma alta de 2,94%, passando a taxa de 13,94% ao mês (378,76% ao ano) em novembro/2015, para 14,35% ao mês (399,84% ao ano) em dezembro/2015. Essa é a maior taxa desde outubro/1995, quando os juros do cartão estavam em 15,43% ao mês e 459,53% ao ano.


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De acordo com o diretor executivo de estudos e pesquisas econômicas da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade), Miguel José Ribeiro de Oliveira, as altas podem ser atribuídas a três fatores.

— Cenário econômico que aumenta o risco do crescimento nos índices de inadimplência, aumento das taxas de juros futuros por conta da turbulência política e econômica, além da expectativa de novas elevações da taxa básica de juros (Selic) frente a um cenário de elevação nos índices de inflação.


Para Oliveira, esse cenário se baseia no fato de os índices de inflação mais elevados, aumento de impostos e juros maiores reduzirem a renda das famílias. Agregado a isso, o baixo crescimento econômico, o que deve promover o aumento dos índices de desemprego.

—Tudo isso somado e o fato de que as expectativas para 2016 serem igualmente negativas quanto a esses fatores, leva as instituições financeiras a aumentarem suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência.

Empresas

Das três linhas de crédito pesquisadas, todas foram elevadas no mês. A taxa de juros média geral para pessoa jurídica apresentou uma elevação de 0,05 ponto percentual no mês (0,94 ponto percentual em 12 meses), correspondente a uma elevação de 1,18% no mês (1,46% em doze meses), passando de 4,22% ao mês (64,22% ao ano), em novembro/2015, para 4,27% ao mês (65,16% ao ano) em dezembro/2015, sendo a maior taxa de juros desde fevereiro/2009.

Taxa de juros x Selic

Considerando todas as elevações da taxa básica de juros (Selic) promovidas pelo Banco Central desde março/2013, tivemos neste período (março/2013 a dezembro/2015) uma elevação da Selic de 7 pontos percentuais (elevação de 96,55%), de 7,25% ao ano em janeiro/2013 para 14,25% ao ano em dezembro/2015.

Neste período a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 51,81 pontos percentuais (elevação de 58,90%), de 87,97% ao ano em março/2013 para 139,78% ao ano em dezembro/2015.

Nas operações de crédito para pessoa jurídica, houve uma elevação de 21,58 pontos percentuais (elevação de 49,52%), de 43,58% ao ano em março/2013 para 65,16% ao ano em dezembro/2015.

Perspectivas para os próximos meses

Para o diretor da Anefac, “tendo em vista o cenário econômico atual, que aumenta o risco de elevação dos índices de inadimplência, a tendência é de que as taxas de juros das operações de crédito voltem a ser elevadas nos próximos meses”.

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