Mercado clandestino de cigarros avança e drena bilhões do país, aponta relatório
Maior parte dos cigarros ilícitos que chegam ao Brasil vem do Paraguai
Economia|Maria Luiza Reis, enviada especial do R7 a Washington (EUA)*

Mais de um terço dos cigarros consumidos no Brasil em 2025 foram de origem ilícita. Segundo o novo relatório da KPMG, o consumo de produtos ilegais no país atingiu a marca de 41,8 bilhões de unidades em 2025, o que representa 35,6% de todo o mercado nacional de cigarros.
Embora a participação do mercado ilegal tenha apresentado uma leve queda em relação aos 47,8% registrados em 2021, o impacto financeiro para o Estado brasileiro disparou.
A evasão fiscal estimada, referente ao que seria arrecadado em IPI e ICMS se esses produtos fossem vendidos legalmente, alcançou 13,3 bilhões de dólares em 2025. Este valor representa um aumento drástico de 171% em relação ao ano anterior, impulsionado pelo aumento dos preços e da incidência tributária no setor.
O Brasil responde sozinho por 54% de todo o consumo de cigarros ilícitos identificado entre os 11 países analisados no estudo (que inclui Argentina, Canadá, Chile, Colômbia e México). Em termos de participação de mercado, embora o volume brasileiro seja o maior, países como Panamá (88,8%), Equador (83,6%) e Chile (57,9%) apresentam índices de ilegalidade ainda mais alarmantes em relação ao consumo total de suas populações.
Origem do contrabando e conexão com o crime organizado
O relatório destaca que o Paraguai continua sendo a principal fonte de cigarros ilícitos que entram no Brasil, respondendo por cerca de 80% do volume ilegal (33,26 bilhões de unidades). Marcas paraguaias dominam as preferências dos consumidores nesse segmento.
Além da entrada de produtos estrangeiros, as autoridades brasileiras identificaram fábricas clandestinas operando dentro do território nacional, produzindo falsificações de marcas paraguaias populares.
Para além do prejuízo fiscal, o estudo alerta que o comércio de cigarros ilícitos está profundamente integrado a redes de criminalidade organizada. Relatórios de órgãos de fiscalização citam que os lucros provenientes do contrabando de tabaco financiam outros modelos de economias criminosas na região, aproveitando-se de rotas de distribuição transfronteiriças já estabelecidas e infraestruturas logísticas como zonas de livre comércio.
Aumento do IPI
Os dados vão de encontro com o alerta feito por representantes da indústria do fumo, na semana passada, após o Ministério da Fazenda anunciar o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e o preço mínimo do cigarro.
Em nota publicada no dia 7 de abril, a Abifumo (Associação Brasileira da Indústria do Fumo) afirmou que essa medida pode gerar um efeito reverso ao pretendido, fazer o consumo migrar para o mercado clandestino e fortalecer organizações criminosas.
Segundo o estudo da KPMG, a rentabilidade elevada continua a sustentar a oferta ilícita, indicando que o consumo ilegal de cigarros é um problema estrutural e persistente, e não apenas uma distorção momentânea do mercado. O setor produtivo, representado pela Abifumo, defende que, para evitar que o Brasil amplie ainda mais sua liderança no ranking regional da ilegalidade, qualquer ajuste fiscal deve ser acompanhado de um combate rigoroso e coordenado às redes criminosas que se aproveitam de infraestruturas logísticas e zonas de livre comércio para financiar outras economias ilícitas na região
* A jornalista viajou a convite da Philip Morris International
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