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Novo tarifaço de Trump ameaça 54% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, diz CNI

Sanções podem ter custo variado em razão das tarifas já aplicadas ao mercado brasileiro

Economia|Débora Sobreira*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • As novas tarifas dos EUA podem afetar 54,1% das exportações brasileiras, segundo a CNI.
  • Tarifas adicionais de 25% e 12,5% podem impactar 35,2% das exportações brasileiras.
  • Atualmente, 18,9% das exportações já enfrentam tarifas adicionais nos EUA.
  • A decisão final sobre as tarifas será anunciada em julho, após audiências públicas nos EUA.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Trump e Lula se encontraram na Malásia
Governo Trump sugeriu duas novas taxas contra produtos do Brasil Daniel Torok/Official White House Photo - 26.10.2025

Um levantamento realizado pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) mostrou que as novas tarifas propostas pelo governo dos Estados Unidos ao Brasil podem ampliar para 54,1% a parcela dos produtos do país submetidos a alguma taxação adicional no comércio com os americanos.

Segundo a entidade, as novas taxas (uma de 25%, sob a alegação de que as práticas comerciais do Brasil são desleais em uma série de questões, desde o comércio digital até o desmatamento ilegal; e uma de 12,5%, por falha no combate ao trabalho forçado) podem afetar 35,2% das exportações brasileiras aos EUA.


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Segundo a projeção, 31,6% das importações passariam a ter uma tarifa de 37,5% (a soma das duas novas taxas), o que representaria um aumento de 27,5 pontos percentuais à tarifa já vigente, de 10%. Os 3,6% restantes passariam a ser penalizados com uma tarifa de 12,5%.

Hoje, de acordo com a CNI, 18,9% das exportações brasileiras aos Estados Unidos já sofrem com alguma tarifa adicional.


As propostas sugeridas pelos EUA ainda não entraram em vigor. A decisão final será anunciada na primeira quinzena de julho. Até lá, os americanos vão promover duas audiências públicas com o objetivo de discutir as medidas e receber contribuições de empresas, entidades e governos.

Produtos que podem ser afetados por novo tarifaço dos EUA Luce Costa/Arte R7

Alvos das tarifas

O relatório da CNI lista os produtos que ficariam mais caros em caso de aprovação das novas tarifas. A lista considera as exceções divulgadas pelo USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos, na sigla em inglês) e as exportações que já estão sujeitas às medidas da Seção 232, item da Lei de Expansão Comercial que já está em vigor.


No caso de tarifas de 37,5%, podem ser impactados os seguintes itens:

  • Ferro gusa não ligado;
  • Sebo não comestível;
  • Álcool etílico não desnaturado;
  • Açúcar de cana em formato sólido;
  • Molduras de madeira padrão de pinho.

Já as tarifas de 12,5% podem passar a valer para:


  • Silício;
  • Lajes de quartzito;
  • Óleos essenciais de frutas cítricas;
  • Pelotas de minério de ferro aglomeradas;
  • Pasta de madeira química, sulfato ou soda, graus para dissolução.

Em 2024, o ferro-gusa movimentou US$ 1,5 bilhão das exportações brasileiras com destino aos Estados Unidos.

Alegações contra o Brasil

As novas sanções tarifárias do governo de Donald Trump têm caráter punitivo e chegam junto a investigações.

O governo americano afirmou ter encontrado “irregularidades” em práticas do comércio brasileiro, dentre outras, ligadas à pirataria, desmatamento e ao Pix.

Dentre as acusações estão:

  • Concorrência desleal entre o Banco Central e bandeiras de cartões de crédito estadunidenses, por meio do Pix;
  • Tentativa de regulação brasileira de empresas dos EUA ligadas à gestão de redes sociais;
  • Comércio desleal em favor de México e Índia;
  • Falha quanto aos índices de desmatamento;
  • Falta de acesso ao mercado de etanol brasileiro; promoção da pirataria; e
  • Crescimento de corrupção no território brasileiro.

*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.

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