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Petrobras tem novo prejuízo anual, mas vê futuro mais previsível

Economia|Do R7

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Por Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier

SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras registrou um prejuízo líquido de 446 milhões de reais em 2017, ante prejuízo de 14,824 bilhões em 2016, impactado pelo acordo para o encerramento da "class action" nos EUA e por adesão a programas de regularização de débitos federais.


O prejuízo anunciado nesta quinta-feira ocorreu em meio a novas perdas de participação de mercado de combustíveis no Brasil e também com reavaliações bilionárias de ativos ("impairment"), como as baixas no setor de fertilizantes (1,3 bilhão de reais) e uma relacionada à segunda unidade de refino na Refinaria do Nordeste (1,5 bilhão de reais).

Mas os executivos da companhia ressaltaram nesta quinta-feira que, após despesas extraordinárias de 11,198 bilhões de reais com o encerramento da ação coletiva de investidores nos Estados Unidos ("class action") e com a adesão a programas de regularização de débitos federais, que somaram 10,433 bilhões de reais, a tendência é de que o balanço da empresa fique mais previsível no futuro.


Tais despesas afetaram fortemente o resultado do quarto trimestre, que fechou com um prejuízo líquido de 5,477 bilhões de reais, ante lucro de 2,5 bilhões de reais no mesmo período do ano anterior.

"A class action tem efeito no resultado, mas foi importante para eliminar uma incerteza que isso poderia ter nos nossos resultados... temos trabalhado muito intensamente para solucionar passivos contingentes", afirmou o presidente-executivo da Petrobras, Pedro Parente, em conferência com jornalistas.


Segundo ele, a Petrobras está muito mais organizada em termos de governança, integridade e gestão, "eliminando fraquezas materiais e deficiências significativas de controle".

Com uma nova política de dividendos, cujos estudos foram aprovados, a estatal poderia até mesmo pagar dividendos referentes ao primeiro trimestre deste ano, destacou Parente.


A companhia vem tendo prejuízos anuais desde 2014, com resultados de anos passados impactados pelo atos de corrupção que envolveram a empresa, dentre outros fatores, o que tem impedido pagamento de dividendos aos acionistas.

A Petrobras teria alcançado um lucro líquido de 7,089 bilhões de reais no ano, não fossem as despesas extraordinárias, disse a empresa em nota.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado do ano em 2017, por sua vez, foi de 76,557 bilhões de reais, queda de 14 por cento ante o ano anterior, também em função da ação nos EUA e do programa de regularização de débito.

Com isso, o índice dívida líquida sobre Ebitda ajustado aumentou para 3,67 vezes em dezembro de 2017, após ter atingido 3,16 vezes em final de setembro.

"Excluindo-se o acordo da Class Action, a companhia apresentaria Ebitda ajustado de 87,755 bilhões e o índice dívida líquida/Ebitda ajustado de 3,20", disse a empresa.

O Ebitda ajustado somou 12,986 bilhões de reais no quarto trimestre, ante 24,788 bilhões de reais no mesmo período de 2016.

Às 11:24, as ações preferenciais da companhia cediam 2,2 por cento e as ordinárias caíam 1 por cento, enquanto o Ibovespa .BVSP perdia 1,14 por cento.

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PERDA DE MERCADO

A Petrobras perdeu participação no mercado brasileiro de gasolina e diesel em 2017, após adotar uma nova política de preços para aumentar a competitividade no setor, mostraram dados divulgados em apresentação da companhia nesta quinta-feira.

Na gasolina, a fatia da Petrobras caiu para 83 por cento em 2017, contra 90 por cento em 2016 e 96 por cento em 2015.

No diesel, a participação foi de 74 por cento em 2017, contra 83 por cento em 2016 e 97 por cento em 2015.

Já em fevereiro deste ano a fatia da companhia no mercado de gasolina estava em 77 por cento e em 79 por cento no de diesel.

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