Preços das matérias-primas chegaram ao fundo do poço, diz agência BullTick
Economia|Do R7
Washington, 19 mai (EFE).- Os preços das matérias-primas chegaram ao fundo do poço, mas tendem a recuperar, no restante deste ano, parte do valor perdido em 2014, segundo a agência de investimentos BullTick, que também acredita que o fortalecimento do dólar alcançou "o clímax". Em seu último boletim de análises de previsões, a empresa de corretagem de valores e banco de investimento, sediada em Miami, garantiu que os preços das matérias-primas chegaram ao fundo do poço no primeiro trimestre e vão se recuperar ao longo do ano. O preço do cobre caiu 22% em 2014, e o do petróleo do Texas (WTI) desabou 43%, destacou a empresa, que calcula que o valor do barril (atualmente em torno de US$ 60) voltará ao patamar de US$ 75 no final do ano. Sobre a esperada alta dos juros nos Estados Unidos, os analistas da BullTick acreditam que "o Fed iniciará seu ciclo de ajuste de taxas em dezembro de 2015", porque se decidirem fazê-lo antes, poderiam ter consequências adversas na inflação. A inflação nos EUA está há pelo menos dois anos abaixo dos 2% anuais que o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, considera saudável, em grande medida pelos baixos preços do petróleo, e uma alta dos juros ofuscaria a conquista dessa meta, pois fortaleceria ainda mais o dólar. "Achamos que o Fed não se sente cômodo com o contínuo entorno do fortalecimento do dólar, e é provável que esse sentimento de 'intranquilidade' se manifeste em sua estratégia" monetária, acrescenta o relatório. Os analistas preveem que o euro fechará o ano cotado a US$ 1,15, e o dólar a 120 ienes, e calculam que as moedas da América Latina se valorizarão em relação aos níveis atuais, com o real cotado a R$ 2,80 para US$ 1; o peso colombiano a 2.15 para US$ 1, o peso mexicano a 13,5 para US$ 1 e o peso chileno a 580 para US$ 1. Se o cenário permanecer o mesmo, quanto maior for o nível das taxas de juros que os mercados financeiros dos Estados Unidos oferecerem, é mais provável que mais dólares entrem no país e, portanto, a moeda americana se fortalecerá. "Nossa opinião neste momento é que o Fed encontrará neutralidade com (taxas de juros de) 2,5% em algum ponto próximo a 2020", indicaram os analistas da BullTick, que ligaram essa previsão à perspectiva de que "a inflação não alcançará as expectativas do Fed nos próximos anos". Em relação aos países da América Latina, os analistas afirmaram que, no caso da Venezuela, apesar de suas contínuas dificuldades de fluxo de efetivo, "ainda não preveem" que incorrerá neste ano na falta de pagamento de sua dívida. Com o petróleo do Texas cotado a cerca de US$ 55 o barril e o venezuelano a US$ 52,61, "a iminente perspectiva do descumprimento do pagamento da dívida, que alcançou o clímax no início deste ano, já foi consensualmente descartada", disseram. Sobre o crescimento econômico do Brasil, a agência previu uma recuperação do crescimento econômico para 2016, assim como uma valorização dos mercados de valores, assumindo que o governo manterá o "indispensável ajuste fiscal que fará mudar a baixíssima confiança empresarial e nacional". Na Argentina, os analistas da BullTick creem que, apesar de o mercado local "continuar a se deteriorar" e prever uma contração de 0,5% para este ano, se mostraram "substancialmente mais otimistas" e acreditam que o governo dará conta de uma expansão anual de 1% em todo o ano. "Olhando para 2016, acreditamos que a economia argentina crescerá 5% anualizado. Nosso cenário mais provável continua sendo com Mauricio Macri eleito presidente em outubro", acrescentaram. Sobre o Chile, a previsão é de crescimento de 2,8% para este ano, depois da expansão econômica real de 1,9% em 2014, segundo seus cálculos. "O mercado de trabalho chileno continua contraído, com um peso chileno drasticamente fragilizado, positivo para as exportações, e com a queda no preço do petróleo criando um impacto positivo adicional no consumo", diz a análise, que prevê que a inflação se desacelerará para fechar em 2,8% no final deste ano. Sobre a Colômbia, os analistas creem que os últimos dados estão pondo em risco as previsões privadas de crescimento de 3,7% em 2015 e que as autoridades monetárias parecem estar mudando essa expectativa para menos de 3,5%, mas previram que o país se verá favorecido pela esperada recuperação dos preços do petróleo. Em relação ao México, a análise estima que "caiu substancialmente" o otimismo do mercado local e internacional sobre a situação do país. "Um governo cada vez mais impopular, junto com persistentes preços baixos do petróleo e a possibilidade de o crescimento não alcançar as expectativas tiraram o entusiasmo" que havia sobre o México, disse a companhia financeira, que, no entanto, continua "muito otimista em relação à taxa de câmbio, à renda fixa local e estrangeira, e às ações". EFE hma/cd/id












