Premiê grego está "certo" de que zona do euro vai aceitar acordo de empréstimo
Economia|Do R7
Por Jan Strupczewski e Renee Maltezou
BRUXELAS/ATENAS (Reuters) - O novo primeiro-ministro da Grécia, o esquerdista Alexis Tsipras, disse nesta sexta-feira ter certeza de que os ministros das Finanças da zona do euro vão aceitar o pedido de Atenas pela prorrogação de um empréstimo após a Alemanha aliviar seu tom hostil à medida.
O início de uma reunião de emergência entre os 19 países do Eurogrupo, em Bruxelas, foi adiado para as 13h30 (pelo horário de Brasília), dando assim mais tempo para as conversas preparatórias entre representantes de Grécia, zona do euro e FMI.
Horas antes das negociações, Tsipras disse em uma declaração enviada à Reuters: “Estou certo de que a carta grega para uma extensão de seis meses do acordo de empréstimo com as condições que o acompanham será aceita.”
Uma reportagem da revista alemã Der Spiegel noticiando que o Banco Central Europeu estava fazendo planos de contingenciamento para uma possível saída da Grécia da zona do euro, sobre a qual o BCE se negou a comentar, ressaltou a dimensão dos desafios.
Berlim e outras economias fortes da zona do euro querem garantias de que a Grécia vai atender às rígidas condições impostas por seu resgate internacional, mas Atenas está determinada a reduzir a austeridade para reanimar a economia.
Tsipras teve uma longa conversa por telefone com a chanceler alemã, Angela Merkel, na quinta-feira, e tem estado em contato frequente com líderes franceses e italianos, em busca por uma solução que permita a seu governo radical manter a cabeça erguida.
“A Grécia tem feito todo o possível para que possamos chegar a uma solução em benefício mútuo, baseada no princípio de duplo respeito: respeito tanto ao princípio das regras da UE como ao resultado eleitoral de seus países membros”, disse ele.
Um dia depois de ter rejeitado fortemente a abordagem grega, a Alemanha soou mais conciliatória, dizendo que a mais recente proposta grega era “um bom sinal”, embora não tenha avançado o bastante em seu formato atual.
Uma porta-voz de Merkel disse que o pedido da Grécia oferece um ponto de partida para negociações adicionais e que os ministros das Finanças iriam, com esperanças, “liderar a um acordo com a Grécia”.
“A carta do ministro das Finanças grego deixa claro que a Grécia continua interessada no apoio da União Europeia”, disse a porta-voz Christiane Wirtz. “Essa carta é um bom sinal, que nos permite continuar a negociar.”
Merkel estava em Paris para uma reunião com o presidente francês, François Hollande, que por sua vez prometeu a Tsipras trabalhar junto à chanceler alemã em busca de uma solução, de acordo com uma autoridade grega.
A Comissão Europeia disse estar confiante na possibilidade de um acordo nesta sexta-feira, caso todas partes se mostrem razoáveis, “mas ainda não estamos lá”. O ministro das Finanças holandês disse que iria pedir aos gregos que deem garantias mais claras sobre o cumprimento de todos os termos de seu acordo de resgate.
Representantes da zona do euro disseram estarem com um humor cautelosamente mais otimista, mas que uma crônica falta de confiança nos novos líderes gregos, incluindo no ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, um expressivo economista e blogueiro marxista, seria difícil de ser superada.
O resgate de 240 bilhões de euros expira no fim de fevereiro e a Grécia pode ficar sem dinheiro já no fim de março caso não receba novos recursos estrangeiros, dizem indivíduos familiares com os números, o que precipitaria a saída do país da zona do euro.
Acrescentando pressão para que um acordo seja alcançado, poupadores gregos retiraram seu dinheiro dos bancos em um ritmo acelerado, apesar das garantias do governo de que não planeja implementar controles de capital para conter os saques.
(Reportagem adicional de George Georgiopoulos, Angeliki Koutantou e Deepa Babington em Atenas, Noah Barkin em Berlim, John O'Donnell e Paul Carrel em Frankfurt)














