Previdência está engolindo todas as outras despesas do governo federal, diz Dyogo
Ministro diz que déficit de 2016 foi de R$ 227 bilhões e que reforma estabiliza despesas
Economia|Do R7

Ao defender a reforma da Previdência, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, disse nesta terça-feira (21), que a despesa previdenciária estaria "engolindo" o orçamento federal e impedindo o governo de realizar mais investimentos.
Em audiência pública na Comissão Especial que a analisa a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 287 na Câmara dos Deputados, ele citou que o gasto com Previdência no País cresce R$ 50 bilhões por ano, enquanto o investimento público é de R$ 40 bilhões.
— Somente neste ano serão gastos R$ 720 bilhões com a Previdência. Isso é pouco ou muito? A Saúde, por exemplo, terá R$ 100 bilhões.
Ele lembrou que o déficit na Previdência federal no ano passado foi de R$ 227 bilhões, e argumentou que a reforma proposta pelo governo estabiliza as despesas previdenciárias.
— E não mais do que isso, não vai fazer as despesas caírem, mas sim mantê-las no nível atual, antes que elas inviabilizem o orçamento.
O ministro também comparou a reforma brasileira, que classificou como gradual, com as reformas abruptas que tiveram que ser realizadas em outros países e em alguns Estados do País.
— Portugal e Grécia congelaram suas previdências, enquanto o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul simplesmente não pagam. Já o Brasil tem a oportunidade de fazer a reforma sem credores batendo na porta.
Leia mais notícias sobre Economia
De acordo Dyogo, a reforma preserva os direitos de todos aqueles que estão aposentados ou recebem pensões e tem uma regra de transição suave, de 20 anos. Para ele, a PEC 287 traz uma reforma dentro do "estritamente necessário".
— Somente o necessário, nem um pouco além. Não se pode falar que se trata de uma reforma duríssima.
Durante a exposição, em meio a diversas intervenções de parlamentares de oposição críticos à PEC, Dyogo afirmou que a reforma protege a maior parte das pessoas, que recebe o salário mínimo. Além disso, ele citou que os trabalhadores rurais poderão contribuir nos moldes do MEI (Microempreendedor Individual), com cerca de R$ 50 por mês.
— O trabalhador rural no dia seguinte pode ser urbano, precisamos identificá-lo até mesmo para que ele possa ter acesso a outros benefícios previdenciários.
O ministro iniciou a exposição citando dados recentes que mostram o começo da recuperação da economia. Ele citou o sucesso do leilão de aeroportos e a melhora da perspectiva do rating brasileiro pela Moody's.
— Atravessamos um momento crítico da economia, mas coisas começam a melhorar. Temos o fim da recessão, com crescimento de arrecadação e recuperação do emprego.
Dyogo disse ainda que as taxas de juros estão caindo e ressaltou que o mercado já cogita a possibilidade da taxa Selic chegar a um dígito ainda em 2017 e a 8% em 2018.
— O processo de credibilidade começou com aprovação da PEC do teto de gastos, mas ainda teremos déficit primário em 2017 e 2018, e quiçá tenhamos superávit em 2019. Isso significa que não podemos nos desmobilizar na aprovação de reformas.












