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Renda na favela cresce, mas moradores têm dificuldade em pagar contas

Dados do Data Favela mostram que salário médio nas comunidades subiu mais do que no País

Economia|Do R7

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No ano passado, o salário médio nas comunidades era de R$ 1.068, contra R$ 603, em 2003
No ano passado, o salário médio nas comunidades era de R$ 1.068, contra R$ 603, em 2003

Os moradores das favelas tiveram um aumento de renda nos últimos anos, mas também sentem que a inflação está corroendo os seus ganhos. É o que mostram os dados de um levantamento do Data Favela — parceria entre o Data Popular e a Cufa (Central Única das Favelas).

Em dez anos, a renda dos moradores das favelas cresceu 54,7%, enquanto que no Brasil, no mesmo período, a renda cresceu 37,9%. No ano passado, o salário médio nas comunidades era de R$ 1.068, contra R$ 603, em 2003. Os 12 milhões de habitantes das favelas são capazes de movimentar R$ 64,5 bilhões, por ano.


No entanto, de acordo com Renato Meirelles, presidente do Data Popular, a dificuldade em pagar as contas subiu de 63% no ano passado para 70% neste ano.

— São sete pontos percentuais apenas entre outubro do ano passado para julho deste ano.


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Classe média


Meirelles diz que, segundo o levantamento, a maior parte dos moradores de favela acredita que a renda vai continuar a crescer “graças ao esforço deles, mas percebem que a inflação está comendo uma parte do dinheiro”.

— Por isso, eles estão sendo mais criteriosos nas escolhas. Pesquisam preço, avaliam se vale a pena pagar mais caro por determinada marca e fazem compra no atacado. Eles se reúnem, compram juntos no atacadão, racham a gasolina e rateiam as compras entre eles.

A maioria dos moradores de favelas (65%) pertence à classe média — são pessoas que ganham entre R$ 320 e R$ 1.120 por pessoa da família (para uma família de quatro pessoas seria uma renda de R$ 1.200 a R$ 4.500). Essa parcela é maior do que a média nacional, 54% dos brasileiros, em geral, estão na classe C. Para o futuro, 75% se veem na classe média em 2023 e 10% querem pertencer à classe alta em 2023.

Setores

Ainda segundo o levantamento, a maior parte da mão de obra feminina nas favelas trabalha como empregada doméstica e a masculina, na construção civil. Segundo Meirelles, apesar da desaceleração na criação de emprego no País, esses trabalhadores ainda não sentiram os reflexos.

— Se por um lado a inflação atinge mais os mais pobres, no caso do desemprego acontece ao contrário. É mais fácil demitir quem ganha mais, não quem ganha menos. Além disso, o salário das empregadas domésticas cresceu mais do que o dos outros trabalhadores. E a construção civil, apesar do recuo, ainda há muitos prédios sendo construídos, graças ao Minha Casa Minha Vida.

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A pesquisa Radiografia das Favelas Brasileiras foi realizada em setembro de 2013, pelo Data Favela, com 2.000 pessoas. Foram entrevistados moradores de 63 favelas, de dez regiões metropolitanas (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pará, Ceará, Pernambuco, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul e Distrito Federal). Os dados foram transformados no livro Um País Chamado Favela (Editora Gente) que será lançado nesta quinta-feira (7) em São Paulo.

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