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Roupas de academia podem ficar 60% mais caras com investigação do governo, diz indústria

Apuração do MDIC mira fabricante chinesa e pode resultar em taxação superior a 100%, diz indústria têxtil

Economia|Augusto Fernandes, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O MDIC investiga uma empresa chinesa por suposto comércio desleal nas exportações de poliamida, matéria-prima para roupas esportivas, o que pode resultar em novas sobretaxas.
  • Desde dezembro de 2025, o Brasil já aplica uma sobretaxa a empresas de China, Coreia do Sul e Taiwan como medida antidumping para combater concorrência desleal.
  • A investigação atual foca na Yiwu Huading Nylon Co., Ltd, e pode resultar em uma nova alíquota de até 108%, elevando os preços das roupas de academia em até 60%.
  • O setor têxtil alerta que a nova taxação pode impactar até 144 mil empregos e forçar a migração de produção para países como Paraguai ou China.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Roupa de academia
Setor têxtil teme sobretaxa de até 108% sobre matéria-prima importada da China Reprodução/Freepik

O MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) investiga uma empresa chinesa por suposta prática de comércio desleal nas exportações para o Brasil de poliamida, matéria-prima usada na fabricação de tecidos para roupas esportivas. Empresas da indústria têxtil temem que a apuração gere novas sobretaxas sobre o produto importado, que podem elevar os preços ao consumidor em até 60% e pressionar toda a cadeia produtiva.

Desde dezembro de 2025, segundo resolução publicada no Diário Oficial da União, o Brasil já cobra uma sobretaxa sobre empresas de três países asiáticos (China, Coreia do Sul e Taiwan) que fornecem o insumo para o país. O imposto foi adotado como medida antidumping (estratégia de defesa comercial para combater a concorrência desleal).


Nos últimos meses, contudo, o governo abriu uma nova apuração sobre uma produtora da China que não tinha sido afetada pela resolução que entrou em vigor no fim do ano passado. O processo mira a Yiwu Huading Nylon Co., Ltd. Segundo o MDIC, “a investigação foi aberta após análise de petição apresentada pela indústria doméstica e da existência de elementos suficientes de indícios de dumping, dano e nexo causal, nos termos da legislação brasileira de defesa comercial”.

“A investigação teve determinação preliminar positiva e prazo de conclusão prorrogado para dezoito meses a contar de seu início, conforme ato da Secretaria de Comércio Exterior. Caso, ao final da investigação, sejam confirmados dumping, dano à indústria doméstica e nexo causal, eventual direito antidumping aplicável à Huading decorrerá desse processo específico”, informou o ministério em nota enviada ao R7.


Indústria teme prejuízos

Representantes da indústria têxtil e importadores de poliamida se reuniram nesta terça-feira (26) com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. O setor apresentou preocupações com os impactos de uma eventual medida antidumping sobre o insumo.

“O ministro reconheceu a complexidade do tema, comprometeu-se a ouvir todos os lados antes de decidir e defendeu uma deliberação colegiada conduzida com equilíbrio e imparcialidade. A questão está na pauta da reunião do Conselho Executivo de Gestão, marcada para quinta-feira, 28 de maio”, disseram os representantes do setor em nota enviada ao R7.


A indústria têxtil afirma que a aplicação da sobretaxa sobre outra empresa que exporta poliamida ao Brasil pode gerar forte impacto sobre a produção nacional de roupas, já que a matéria-prima não é fabricada no Brasil. O setor diz que a investigação do ministério pode resultar em uma nova alíquota de até 108%.

“Uma taxação estimada em 108% sobre o fio elevaria o custo das peças confeccionadas entre 26% e 42% e o preço ao consumidor final em até 60%, com perda de competitividade frente a produtos importados prontos da Ásia”, alerta o setor.


“As empresas signatárias do requerimento empregam mais de 55 mil trabalhadores diretamente, e o setor estima que até 144 mil postos de trabalho seriam impactados ao longo da cadeia, com risco real de migração de parte da produção para Paraguai ou China”, acrescenta o grupo.

Segundo o setor, o país consome cerca de 80 mil toneladas anuais do insumo e depende integralmente da importação para abastecer a indústria. Atualmente, o produto custa em média US$ 2,52 por quilo, segundo os empresários. Com a nova sobretaxa em discussão, o valor poderia receber acréscimo de até US$ 2,72 por quilo.

Sobretaxas em vigor

As sobretaxas instituídas no fim de 2025 são cobradas de empresas asiáticas que exportam fios têxteis de filamentos contínuos de nylon — poliamida 6 e poliamida 6,6 — com título inferior a 50 tex.

A cobrança é feita por meio de alíquota específica em dólares por tonelada, com valores que variam conforme a empresa exportadora e o país de origem.

Para produtos vindos da China, as alíquotas variam entre US$ 167,98 e US$ 1.860,68 por tonelada. No caso da Coreia do Sul, os valores vão de US$ 77,85 a US$ 2.085,16 por tonelada. Para Taiwan, a taxa varia de US$ 159,91 a US$ 2.583,01 por tonelada.

À época da prorrogação das medidas, o governo argumentou que as investigações confirmaram a prática de dumping nas exportações para o Brasil e os danos causados à indústria nacional.

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