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Saiba como o rebaixamento da nota do Brasil afeta a sua vida

Dólar deve subir mais com saída de investidores e desemprego também pode aumentar

Economia|Do R7

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Com menos financiamento estrangeiro, os cofres das empresas também ficam mais enxutos
Com menos financiamento estrangeiro, os cofres das empresas também ficam mais enxutos Nastco/Getty Images/iStockphoto

As três principais agências de classificação de risco do mundo rebaixaram as notas de crédito do Brasil e retiraram o chamado “grau de investimento”, uma espécie de selo de bom pagador do País. As notas dadas pelas agências de risco servem de termômetro para os investidores estrangeiros, que consideram esse selo para decidir se investem em um determinado país ou empresa.

Certo! Mas o que muda na sua vida?


Sem o selo de bom pagador — o grau de investimento —, o Brasil fica sujeito ao humor dos investidores estrangeiros, que devem destinar seus recursos para outros países mais seguros. O primeiro sintoma é o fluxo menor de dólares para País, o que deverá fazer a moeda americana disparar ainda mais — a moeda já está acima de R$ 3,96.

Com o dólar mais caro, fica mais caro viajar para o exterior e comprar produtos estrangeiros — cotados em dólar. Isso vale tanto para as compras internacionais que você faz no seu cartão de crédito como as máquinas e equipamentos e matérias-primas de que a indústria precisa para sua operação.


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Outra consequência é um possível impacto no mercado de trabalho. Com menos financiamento estrangeiro, os cofres das empresas também ficam mais enxutos, porque tomar dinheiro emprestado fica mais caro. Isso porque o governo brasileiro pode responder com o aumento dos juros básicos da economia.

Em consequência, os investimentos na cadeia produtiva diminuem e o desaquecimento da economia se agrava. Com menos máquinas e equipamentos disponíveis, são necessários menos trabalhadores para operá-los. Em outras palavras, o nível de desemprego — já em 9%, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio) — poderá aumentar.


Entenda os critérios

O grau de investimento funciona como um atestado de que os países não correm risco de dar calote na dívida pública. Abaixo dessa categoria, está o grau especulativo, cuja probabilidade de deixar de pagar a dívida pública sobe à medida que a nota diminui. Quando um país dá calote, os títulos passam a ser considerados como de lixo. O mesmo vale para as empresas.

Para chegar à nota, as agências avaliam indicadores macroeconômicos, como a inflação e a geração de riquezas (PIB, Produto Interno Bruto), a situação financeira do país ou da empresa — como a economia do governo para pagar juros da dívida (superávit primário) — e a conjuntura do País ou empresa diante da economia global.

Para exemplificar, é como sua aprovação de crédito quando vai comprar determinado produto em parcelas numa loja. Você precisa ter o crédito aprovado antes de ter a compra a prazo aprovada — apenas a escala é maior, por se tratar de um país. Quando a financeira ou a própria loja considera o crédito do consumidor como bom, a compra é aprovada.

O mesmo vale para as agências de classificação de risco. Quando consideram o país bom, ele ganha o cobiçado “investment grade” (“grau de investimento”): isso é o sinal verde para que investidores do mundo todo considerem o país com essa nota um ambiente seguro para seu dinheiro — ou seja, tem pelo menos um sinal de que não levarão calote. Mas a nota costuma passar por revisões - assim como o crédito do consumidor.

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