Economia Servidores do IBGE entregam cargos contra forma de condução do Censo

Servidores do IBGE entregam cargos contra forma de condução do Censo

Censo Demográfico de 2020 foi orçado pela equipe técnica em pouco mais de R$ 3 bilhões, mas será realizado com R$ 2,3 bilhões

Censo

Servidores se manifestaram contra cortes de questões

Servidores se manifestaram contra cortes de questões

Lucas Lacaz Ruiz/Estadão Conteúdo - 15.8.2010

O corte no questionário do Censo Demográfico, que vai a campo no País em 2020, provocou nesta quinta-feira (6) uma manifestação de servidores públicos, políticos e ex-presidentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Diante dos acontecimentos, quatro servidores em posições de chefia entregaram seus cargos em protesto contra a forma como a atual direção vem conduzindo os preparativos para o levantamento censitário.

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Os técnicos que pediram exoneração são:

• Andréa Bastos, assessora da Diretoria de Pesquisas, responsável por substituir o diretor de Pesquisas e principal interlocutora junto a área econômica da instituição;

• Marcos Paulo Soares, coordenador da Coordenação de Metodologia e Qualidade, responsável pela definição da amostra nas pesquisas realizadas pelo IBGE;

• Barbara Cobo, coordenadora da Coordenação de População e Indicadores Sociais, responsável por planejar, coordenar e executar estudos populacionais e pesquisas estatísticas para a caracterização da situação social e demográfica do país.

• Leila Ervatti, gerente da área de demografia.

"O mais importante núcleo técnico ligado ao Censo Demográfico acaba de anunciar um pedido coletivo de exoneração por compreender que o processo vem sendo conduzido de forma inadequada, em desatenção às evidências técnicas sistematizadas em estudos sólidos apresentados à direção do IBGE", justifica a nota distribuída pelo sindicato de servidores do instituto, o Assibge.

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O anúncio foi feito durante o debate de lançamento da campanha Todos Pelo Censo 2020, no Rio, onde fica a sede do instituto. No evento, que reuniu cerca de 300 pessoas, três ex-presidentes do órgão fizeram a defesa pública da manutenção do Censo conforme formulado pela equipe técnica: Roberto Olinto, Wasmália Bivar e Eduardo Nunes.

Todos lembraram a excelência do trabalho exercido pelo instituto e pediram aos servidores presentes, vários em cargo de gerência atualmente, que não abandonem suas posições, apesar das supostas pressões e ingerências sobre o trabalho técnico do órgão.

"Os funcionários do IBGE não podem brigar. Não saiam, resistam, desobedeçam se não for uma ordem decente, não cumpram", aconselhou Eduardo Nunes, que presidia o IBGE no Censo de 2010.

"Não tem sentido chegar a uma polêmica sobre essa operação clássica com características técnicas", discursou Roberto Olinto substituído no fim de fevereiro pela atual presidente, Susana Cordeiro Guerra. "Há uma tentativa de descrédito à equipe do IBGE sistematicamente."

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Os técnicos presentes desconstruíram argumentos da nova direção para justificar a necessidade de um censo mais enxuto. Wasmália Bivar, que antecedeu Olinto na presidência, lembrou que pesquisa amostral não alcança o nível municipal e que o órgão já utiliza registros administrativos há décadas na sua produção, apesar das dificuldades de obter informações com regularidade de órgãos oficias. "Quem trabalha sabe como é árduo manter esse acesso de forma consistente ao longo do tempo", relatou Wasmália.

A ex-presidente lembrou ainda que o instituto já integra a Comissão de Estatísticas das Nações Unidas e que estuda e firma parcerias com países que produzem estatísticas de forma bem-sucedida, em uma crítica à busca de Susana por consultorias do Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento. "Convidamos quem fez, não quem ouviu falar de quem fez", disse Wasmália.

O Censo Demográfico foi orçado pela equipe técnica em pouco mais de R$ 3 bilhões, mas Susana Cordeiro Guerra anunciou que fará o levantamento com R$ 2,3 bilhões. "O Censo deixou de ser Censo. O Censo virou uma contagem rápida de população", criticou Eduardo Nunes.