Índios no Amazonas sobrevivem produzindo máscaras
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Economia|Do R7
Os índios Sateré Mawé abandonaram sua arte ancestral para se dedicarem a fazer máscaras depois de ver sua principal fonte de renda ameaçada pela chegada do coronavírus ao estado do Amazonas, um dos mais atingido pela pandemia no Brasil.
Antes da chegada da doença, o povo indígena sobrevivia graças à venda de artesanato em Manaus, capital do Amazonas, mas com as medidas preventivas decretadas pelas autoridades regionais e o fechamento de negócios considerados não essenciais, eles foram forçados reinventar sua atividade econômica.
Samela Sateré Mawé, 23 anos, foi responsável por essa iniciativa. "A produção de máscaras foi a maneira que descobrimos como subsídio, porque tivemos que parar de vender nosso artesanato", explica a jovem a Efe.
O projeto, promovido pela Associação Sateré Mawé de Mulheres Indígenas, produz cerca de 100 máscaras por dia, quantia que, segundo Samela, "é suficiente" para garantir a sobrevivência de seu povo.
Mas além de ser uma fonte de renda, a produção de máscaras também se tornou um ato de solidariedade. "Também estamos ajudando outras cidades, porque, além da venda, também fazemos doações", diz Samela, responsável pela iniciativa.
"Nosso processo começa cortando o tecido, depois os elásticos, e depois o processo passa pelas máquinas onde essas matérias-primas são coladas", disse à Efe Rucian Sateré Mawé, um jovem estudante de engenharia.
Os últimos passos da produção, segundo Rucian, incluem a esterilização das máscaras e suas embalagens, um processo preventivo para impedir a possível propagação do vírus.
Inicialmente, a comunidade recebeu uma máquina de costura e vários materiais graças a doações de uma instituição de artistas do Reino Unido.
Agora, há um total de vinte pessoas da etnia Sateré Mawé que, sem deixar de usar seus cocares, brincos e colares, dedicam-se incansavelmente à produção das máscaras.
Com um sistema funerário e de saúde sobrecarregado, o Amazonas - que abriga o maior número de indígenas no Brasil (168.700, segundo o último censo de 2010) - é uma das regiões do país mais afetada pelo COVID-19, desde que até terça-feira registrou 1.098 mortes e cerca de 14.170 casos.
De acordo com o último boletim da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) do Ministério da Saúde do Brasil, já existem 258 casos e 19 mortes confirmadas por coronavírus entre as comunidades indígenas , incluindo um adolescente Yanomami de 15 anos.
Entre as mortes, também está a de um homem de 78 anos da etnia Sataré Mawé, no interior do estado do Amazonas.
Em todo o país, a pandemia continua inabalável e já deixou 12.400 mortos e quase 180.000 infecções, de acordo com o último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde.












