Volkswagen vai reduzir salários e benefícios no ABC para evitar demissão em massa
Montadora tem um excedente de 3,6 mil funcionários, informou o sindicato dos metalúrgicos
Economia|Do R7

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a montadora Volkswagen anunciou que sua fábrica em São Bernardo do Campo tem excedente de 3,6 mil trabalhadores e, para evitar demissões em massa, vai promover medidas para demissões voluntárias, redução de salários de novos funcionários e corte de benefícios.
Os trabalhadores da fábrica têm acordos de estabilidade com a montadora até 2019, mas desde que o cenário de produção acima de 250 mil veículos por ano seja atingido, algo que "não vai ser alcançado este ano", afirmou o sindicato.
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Segundo o sindicato, um processo de negociação com a empresa vai ser iniciado para que não ocorram demissões na unidade. A empresa entregou uma pauta de medidas que considera necessárias para ajustar sua capacidade ao mercado no final da semana passada.
Dados da montadora apontam que as vendas de carros da Volkswagen acumularam queda de 35% no primeiro semestre de 2016, na comparação com 2015
"As projeções da Anfavea apontam para uma indústria de 2 milhões de veículos em 2016, uma queda de praticamente 20% comparado a 2015, e 40 por cento comparado a 2014, quando foi estabelecido o acordo trabalhista em vigência com os empregados da Volkswagen do Brasil, para a fábrica Anchieta", diz o comunicado da Volkswagen.
"Por essa razão, a empresa retomou as discussões com o sindicato para que nas próximas semanas sejam construídas alternativas para o novo cenário que se impõe, além de outras medidas de eficiência e organização para a fábrica Anchieta", completa a nota.
Mercedez
Na fábrica da Mercedes Benz, também em São Bernardo, a situação também não é boa. Os trabalhadores ameaçam entrar em greve em caso de novas demissões.
“Responsabilidade social e incentivo profissional têm passado longe da montadora. Além disso, a empresa vem provocando e ameaçando os trabalhadores com punições desqualificadas, com total despreparo por parte dos gestores”, ressaltou o coordenador do sindicato dos metalúrgicos Ângelo Máximo de Oliveira Pinho, o Max.
As mobilizações começaram em maio, após o presidente da montadora, Philipp Schiemer, ter declarado que não renovaria o Programa de Proteção ao Emprego, o PPE, o que de fato aconteceu.
Os Metalúrgicos do ABC organizam nesta semana mobilizações em assembleias com os trabalhadores para defender a pauta da Campanha Salarial 2016. Estão em campanha 202.213 trabalhadores na base da FEM-CUT no Estado de São Paulo. Nesta quinta-feira (14), será entregue a pauta de reivindicações com temas sociais. A negociação com as empresas foi dividida, para este ano, em nove bancadas. Até o ano passado, eram seis.
“A maior fragmentação das bancadas exigirá ainda mais empenho nas negociações e muita mobilização dos trabalhadores para ter um resultado positivo”, afirmou o presidente da Federação Estadual dos Metalúrgicos da CUT, a FEM-CUT, Luiz Carlos da Silva Dias, o Luizão.












