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Brasil reduz percentual de jovens ‘nem-nem’, mas ainda tem 7,7 milhões sem ensino médio

Estudo do IBGE mostra que maioria dos jovens que abandonaram os estudos é formada por homens e pessoas pretas ou pardas

Educação|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Brasil ainda possui 7,7 milhões de jovens entre 14 e 29 anos sem ensino médio completo, apesar da redução de jovens que não estudam nem trabalham.
  • Entre os jovens que não concluíram o ensino médio, 59,8% são homens e 72,8% são pretos ou pardos.
  • O principal motivo para o abandono escolar é a necessidade de trabalhar, seguido pela falta de interesse nos estudos.
  • Políticas públicas e apoio familiar são essenciais para reduzir a evasão escolar e melhorar a formação dos jovens.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Necessidade de trabalhar segue como principal motivo para evasão escolar Gabriel Jabur/Agência Brasil - Arquivo

Mesmo com a redução da proporção de jovens que não estudam nem trabalham, o Brasil ainda tem 7,7 milhões de pessoas entre 14 e 29 anos que não concluíram o ensino médio. Os dados fazem parte do módulo anual de Educação da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua 2025, divulgada nesta sexta-feira (19) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Do total de jovens que não completaram essa etapa da educação básica, 59,8% são homens e 40,2%, mulheres. Em relação à cor ou raça, 72,8% são pretos ou pardos, enquanto 26,4% são brancos.


A pesquisa mostra ainda que o abandono escolar se concentra principalmente a partir dos 16 anos. Cerca de 18,5% dos jovens deixaram a escola nessa idade, percentual que sobe para 20% aos 17 anos e 17,6% aos 18.

Ainda assim, o IBGE chama atenção para a evasão precoce: 15,1% abandonaram os estudos antes dos 14 anos, durante o ensino fundamental.


Razões

Segundo a pesquisa, o principal motivo que leva ao abandono escolar é a necessidade de trabalhar. Em 2025, o motivo foi citado por 43% dos entrevistados, um aumento de um ponto percentual em relação ao ano anterior.

O segundo fator mais mencionado foi a falta de interesse pelos estudos, apontada por 25,6% dos jovens. Em seguida aparecem gravidez (9,9%), problemas permanentes de saúde (4,4%), afazeres domésticos ou cuidados com outras pessoas (3,9%) e falta de escola, vaga ou turno desejado (2,8%).


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Diretor-geral do Colégio Sigma, em Brasília, Gabriel da Silva Carvalho explica que a evasão escolar é resultado de múltiplos fatores.

“Esse fenômeno não pode ser explicado por um único fator. Em geral, o abandono escolar é resultado da combinação entre vulnerabilidade socioeconômica, necessidade de ingresso precoce no mercado de trabalho, defasagem na aprendizagem, falta de perspectiva sobre o futuro e uma escola que, muitas vezes, não consegue estabelecer conexões significativas com os projetos de vida dos estudantes”, pontua.


Segundo ele, o problema afeta especialmente grupos mais vulneráveis, como jovens pretos e pardos, estudantes de famílias de baixa renda e moradores de regiões com menor acesso a políticas públicas.

“A evasão não é apenas uma consequência da pobreza. Ela também perpetua ciclos de desigualdade, reduzindo oportunidades de inserção profissional, renda e mobilidade social ao longo da vida”, analisa.

Dados regionais

Regionalmente, o abandono escolar antes dos 13 anos foi mais elevado no Norte (9,9%) e no Nordeste (8,5%). Aos 14 anos, os maiores percentuais foram registrados no Sudeste (8,1%) e no Norte (7,8%).

Já entre os jovens que deixaram a escola aos 19 anos ou mais, destacam-se Nordeste (19,8%) e Norte (18,3%). Segundo o IBGE, o resultado pode indicar tentativas de recuperação da trajetória escolar em idade mais avançada.

Caminhos

Para Elen Larissa Lopes dos Reis, orientadora educacional da Rede Adventista de Educação do Vale do Paraíba, políticas voltadas ao acompanhamento dos estudantes podem contribuir para reduzir o problema.

“Políticas públicas e iniciativas voltadas ao acompanhamento psicológico, pedagógico e vocacional podem ajudar a reduzir a evasão escolar ao oferecer suporte constante aos estudantes em diferentes etapas da trajetória escolar”, comenta.

Já Margarete Rampinelli Knopp Quiroga, neuropsicóloga da mesma instituição, acredita que, além de ajuda profissional, orientações familiares também são essenciais para mudar o cenário atual.

“A participação das famílias também é parte desse processo. Quando pais, responsáveis e escola atuam em conjunto, o estudante recebe mais incentivo para desenvolver autonomia, segurança e motivação. A integração dessas práticas à rotina das escolas públicas e privadas pode fortalecer a permanência dos jovens nos estudos e contribuir para uma formação mais completa.”

*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.

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