Centrão mira bancadas no Congresso e deixa apoio presidencial em segundo plano
Com decisão clara, especialistas enxergam que o Centrão pode dificultar o mandato do próximo presidente da República
2026|Luiza Marinho*, do R7, em Brasília
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A decisão de partidos do Centrão de manter uma posição de neutralidade e independência na eleição presidencial pode tornar mais difícil a construção de uma base de apoio para o próximo presidente.
Sem compromisso antecipado com nenhum candidato ao Palácio do Planalto, as siglas preservam a liberdade para negociar com quem vencer a disputa e concentram esforços nas eleições para a Câmara, o Senado e os governos estaduais.
Com isso, segundo especialistas ouvidos pelo R7, enxergam que o grande desafio do próximo presidente será negociar com um centro que optou pela isenção na eleição.
“A neutralidade do Centrão transfere parte importante da disputa política da eleição para o pós-eleição”, afirma o cientista político Gabriel Amaral.
Segundo ele, caso essas legendas cheguem a 2027 com bancadas expressivas e sem compromisso prévio com o presidente eleito, a formação de uma maioria no Congresso precisará ser construída praticamente do zero.
“Isso tende a aumentar o peso da negociação política na formação da base e a reduzir a ideia de que uma vitória nas urnas produz, automaticamente, uma maioria parlamentar”, diz.
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A neutralidade também permite que os partidos mantenham canais de diálogo com diferentes candidatos. “Ao não vincularem integralmente seu desempenho eleitoral a um presidenciável, preservam capacidade de diálogo com quem vencer. Com isso, o próximo presidente poderá encontrar um Centrão menos comprometido eleitoralmente, mas potencialmente ainda mais relevante parlamentarmente”, explica Amaral.
A neutralidade segura
O presidente do PP, senador Ciro Nogueira, havia comunicado que a legenda adotará neutralidade na disputa presidencial. A decisão também engloba o União Brasil, partido que integra a mesma federação. O Republicanos foi outra legenda que decidiu permanecer neutra.
O comentarista político Gabriel Petter aponta que essa neutralidade mantém os líderes do centro em uma posição segura. “Levando em consideração as pesquisas eleitorais, com Lula à frente, mas não com uma vantagem esmagadora, em relação a Flávio Bolsonaro, não é prudente embarcar incondicionalmente em nenhuma das duas campanhas”, acredita.
O peso das bancadas
Para Marcio Coimbra, CEO da Casa Política, o tamanho das bancadas tem peso direto na estrutura de poder dos partidos, já que interfere na distribuição dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral, no tempo de rádio e televisão e no controle de comissões estratégicas do Congresso.
Apesar de a isenção ser considerada segura de modo geral, Coimbra acredita que o risco do centro está em conciliar os interesses diferentes dos grupos estaduais sem causar uma divisão dentro dos partidos.
“Isso pode criar uma contradição: ter grande controle sobre partes importantes do dinheiro público, mas tentar evitar a responsabilidade política quando surgirem crises no governo ou na economia”, analisa.
*Estagiária do R7, sob supervisão de Augusto Fernandes, editor-chefe.
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