Centrão tende à neutralidade e frustra Flávio; Lula vê cenário como o menos desfavorável
Presidente recebeu apoio oficial do PDT; PP, União e Republicanos sinalizam neutralidade
2026|Amanda Garcia, do R7, em Brasília
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Em meio aos desgastes da pré-campanha, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) recebeu, nos últimos dias, sinalizações de lideranças de partidos do Centrão de que essas siglas devem adotar uma posição de neutralidade na disputa pelo Palácio do Planalto. Apesar dos acenos, aliados do senador avaliam que parte desse grupo ainda pode aderir à campanha mais adiante. No entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a leitura é de que a neutralidade já representa um cenário mais favorável do que um eventual alinhamento dessas forças ao principal adversário.
A dificuldade de garantir o apoio dessas legendas ocorre às vésperas da convenção do PL, que confirmará Flávio como candidato. O presidente do PP, senador Ciro Nogueira, comunicou que a legenda adotará neutralidade na disputa presidencial, decisão que deve ser acompanhada pelo União Brasil, partido que integra a mesma federação. A definição reduz as chances de o senador ampliar o tempo de propaganda eleitoral e representa mais um obstáculo na busca por um vice e por uma coligação nacional.
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Além do PP e do União Brasil, o Republicanos também vinha indicando tendência a permanecer neutro. No entanto, segundo apuração do Blog do Nolasco, as conversas com o partido avançaram nesta semana. A definição deve ocorrer até 1º de agosto, quando será a convenção do partido. O Republicanos condiciona o apoio nacional a acordos estaduais, especialmente em Mato Grosso, Roraima e Sergipe, onde pretende disputar os governos locais.
Nos bastidores, dirigentes de PP, União Brasil e Republicanos avaliam que a recente mudança de estratégia do senador — marcada pela retomada de ataques ao sistema eleitoral — dificultou ainda mais a aproximação com partidos do Centrão. Segundo interlocutores das legendas, a expectativa inicial era de que Flávio mantivesse um perfil mais moderado para facilitar a construção de alianças.
Nas últimas semanas, porém, o pré-candidato passou a reproduzir com mais frequência a retórica do ex-presidente Jair Bolsonaro, inclusive com declarações questionando, sem provas, a segurança das urnas eletrônicas.
Centrão neutro pode favorecer Lula
Do lado de Lula, a dificuldade de atrair formalmente as legendas de centrão para a coligação também é considerada um dado consolidado. Integrantes do Palácio do Planalto afirmam, no entanto, que a neutralidade desses partidos é o cenário mais favorável possível, por evitar que as siglas reforcem a candidatura adversária em âmbito nacional.
A avaliação no entorno de Lula é de que, mesmo sem um apoio formal à reeleição, a ausência de uma orientação nacional pode abrir espaço para que diretórios estaduais e pré-candidatos a governador dessas legendas apoiem o petista em palanques locais, de acordo com as conveniências regionais. Auxiliares do presidente consideram que esse arranjo tende a preservar alianças construídas nos estados e reduzir o potencial de isolamento da campanha em importantes colégios eleitorais.
Nesta semana, o PDT oficializou apoio a Lula ainda no primeiro turno, algo que não acontecia desde a eleição de Dilma Rousseff, em 2014. O acordo também prevê alianças estaduais, incluindo o apoio do PT às candidaturas pedetistas ao governo do Rio Grande do Sul e do Paraná.
O PSB, por sua vez, deve oficializar na próxima semana o apoio à candidatura à reeleição de Lula durante a convenção nacional da legenda. Há a previsão da presença do presidente no evento. O partido seguirá na chapa presidencial com o vice-presidente Geraldo Alckmin, que deve participar do evento ao lado do presidente.
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