Crítico dos programas sociais, Zema quer dar R$ 1.000 para cada criança que nascer no país
Proposta, chamada de ‘Sócios do Brasil’, prevê aplicação do dinheiro em fundos de ações e saque somente aos 18 anos
2026|Vinícius Rangel, da RECORD Minas
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O candidato do Partido Novo à Presidência da República, Romeu Zema, que tem feito críticas ao atual modelo de programas de transferência de renda, propõe uma espécie de poupança pública para os brasileiros que nascerem durante um eventual governo dele. A ideia está no plano de governo do candidato e prevê o depósito de R$ 1.000 para cada criança, com o dinheiro aplicado em fundos de ações e resgate permitido somente quando o beneficiário completar 18 anos.
A proposta aparece no capítulo dedicado ao desenvolvimento econômico e recebe o nome de “Sócios do Brasil”. Segundo o documento, o objetivo é criar uma cultura de educação financeira e estimular, desde a infância, a formação de patrimônio.
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A proposta contrasta com declarações recentes de Zema sobre programas sociais. Em junho, durante participação em um evento da CNI (Confederação Nacional da Indústria), em Brasília, o candidato defendeu mudanças nas regras do Bolsa Família e afirmou que pretende estimular beneficiários a estudar e ingressar no mercado formal de trabalho.
Na ocasião, Zema disse que queria exigir dos homens beneficiários a conclusão dos estudos e afirmou que pretendia recompensar quem conseguisse um emprego e deixasse o programa. “Sair do Bolsa Família para carteira de trabalho assinada”, declarou.
Na mesma ocasião, Zema afirmou que mulheres teriam “outras atribuições em casa” e que, por isso, as exigências seriam direcionadas aos homens. Ele também defendeu a qualificação profissional dos beneficiários.
Além disso, o candidato tem defendido mudanças nos programas sociais e afirma que é necessário combater fraudes e criar mecanismos para estimular que os beneficiários entrem no mercado de trabalho e saiam dos programas de transferência.
Do benefício mensal ao patrimônio futuro
A proposta apresentada no plano de governo tem uma lógica diferente dos programas tradicionais de transferência de renda. Em vez de um pagamento mensal para famílias que atendam a critérios de renda, o “Sócios do Brasil” seria um valor depositado uma única vez para cada brasileiro ao nascer.
A justificativa apresentada pela campanha é estimular a formação de patrimônio e a educação financeira desde cedo.
O plano não detalha, no trecho dedicado à proposta, quais seriam os fundos utilizados, quem faria a gestão dos recursos, como seriam escolhidos os investimentos ou se o governo faria novos aportes ao longo da vida do beneficiário.
Também não há, nesse trecho do documento, uma estimativa do custo total da medida para os cofres públicos.
Impacto nos cofres públicos
O plano de governo também não informa de onde sairiam os recursos para financiar a proposta. O documento apresenta o depósito de R$ 1.000 por nascimento, mas não indica uma fonte específica de financiamento nem estima o impacto anual da medida.
O custo dependeria do número de nascimentos registrados no país. Em 2025, segundo o Portal da Transparência do Registro Civil, o Brasil registrou nascimento de 2.510.602 crianças. Nesse cenário, um aporte de R$ 1.000 para cada recém-nascido representaria mais de R$ 2,5 bilhões por ano.
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