Rejeição de quase 50% alimenta disputa pelo voto contra Lula ou Flávio Bolsonaro
Polarização cresce à medida que candidatos tentam conquistar eleitor que rejeita o rival
2026|Amanda Garcia, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A poucos dias do 1º turno das eleições, a disputa presidencial é marcada não apenas pela concentração de votos em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), mas também pela rejeição elevada aos dois principais candidatos ao Palácio do Planalto.
Segundo a mais recente pesquisa Real Time Big Data, Lula tem 50% de rejeição, contra 49% de Flávio. Na avaliação do cientista político Bruno Soller, sócio do Real Time Big Data, parte do eleitorado pode estar definindo o seu voto não necessariamente por preferência, mas para evitar a vitória do adversário.
“Não é necessariamente o voto dos sonhos, mas é um eleitor que não quer mais Lula”, afirma Soller, ao analisar o crescimento de Flávio na reta final.
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Segundo o cientista político, o mesmo movimento pode ajudar a explicar a concentração da disputa nos dois candidatos e a dificuldade dos demais nomes de romper a polarização.
Depois de Lula e Flávio, os mais rejeitados são Renan Santos, com 42%; Ronaldo Caiado, com 38%; Romeu Zema, com 35%; e Augusto Cury, com 31%.
Para Soller, os números revelam uma eleição em que uma parcela significativa do eleitorado demonstra insatisfação com os nomes colocados na disputa.
“É uma eleição absolutamente rejeitiva. As pessoas estão insatisfeitas, mas os outros candidatos também não conseguiram empolgar esse eleitor e se apresentar como alternativa”, avalia.
Evolução das pesquisas
A última pesquisa do Real Time Big Data mostra Lula com 41% das intenções de voto e Flávio com 37% no 1º turno. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, os dois estão no limite do empate técnico.
Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão) aparecem com 6% cada, seguidos por Ronaldo Caiado (PSD), com 2%, e Romeu Zema (Novo), com 1%.
Na rodada divulgada em 1º de setembro, Lula tinha 38% e Flávio, 30%. Cury aparecia com 11%, Renan tinha 7%, Caiado, 4%, e Zema, 2%. Em pouco mais de três semanas, Lula avançou três pontos percentuais e Flávio, sete. Cury perdeu cinco pontos, Caiado, dois, e Renan, um.
Cury, Renan, Caiado, Zema e os demais candidatos somam 16% das intenções de voto no levantamento do Real Time. Se Lula e Flávio avançarem ao segundo turno, eleitorado dos candidatos que não seguirem para o segundo turno se torna objeto de disputa entre dois presidenciáveis.
Disputa concentrada em Lula e Flávio
A rejeição elevada dos dois principais candidatos também ajuda a explicar o equilíbrio em um eventual segundo turno. O Real Time mostra Flávio numericamente à frente, com 45%, e Lula com 44% — empate técnico considerando a margem de erro.
Para Soller, a disputa pode ganhar uma nova dinâmica depois do primeiro turno. Flávio tende a buscar os eleitores dos candidatos da terceira via, enquanto Lula contará com o possível efeito do aumento do Bolsa Família.

O governo anunciou neste mês reajuste de 15,04% no benefício. O valor mínimo passará de R$ 600 para R$ 691, e o benefício médio estimado subirá de R$ 675 para R$ 777. Os novos valores começam a ser pagos em 19 de outubro, seis dias antes do segundo turno.
Na avaliação de Soller, a entrada do dinheiro reajustado no orçamento das famílias pode ajudar Lula na tentativa de recuperar votos, embora não seja possível antecipar o tamanho — ou mesmo a existência — desse efeito nas urnas. “Pode ser que não impacte, mas pode ajudar a virar votos”, afirma.
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