Flávio entra em nova fase da campanha e adota comunicação à la Bolsonaro
Após a crise provocada pelo caso ‘Dark Horse’, pré-candidato do PL tenta reforçar a identificação com o pai
2026|Amanda Garcia, do R7, em Brasília
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Após meses reforçando uma imagem de candidato mais moderado, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), entrou em um novo momento da campanha e passou a incorporar com mais frequência elementos de comunicação que remetem ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Até então, Flávio vinha acenando ao público feminino com camisetas em que dizia ser “pai de menina” e buscando o apoio do eleitor de centro.
Esse novo momento da campanha ganhou força após a crise provocada pelo caso “Dark Horse”, nome do filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Em maio, o The Intercept Brasil revelou que Flávio havia procurado o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para pedir dinheiro para financiar o filme.
A reportagem trouxe mensagens, áudios e documentos que indicavam a negociação de um aporte milionário para o projeto, o que abriu uma crise na pré-campanha do senador.
A revelação teve forte repercussão política por ocorrer em meio à pré-campanha presidencial e por envolver um empresário do setor financeiro que hoje está preso.
Nos dias seguintes à publicação, Flávio negou inicialmente as informações ao ser abordado por jornalistas e passou a atacar a credibilidade da investigação.
Depois, porém, admitiu ter solicitado suporte financeiro para o documentário, mas afirmou que a captação era privada, lícita e não envolvia qualquer favorecimento ou contrapartida.
O episódio provocou desgaste dentro da campanha, levou à reformulação da equipe de comunicação e fez aliados concluírem que era necessário reconectar Flávio à base mais fiel do bolsonarismo.
A partir daí, o senador intensificou as transmissões ao vivo, marca registrada de Bolsonaro, que passou a pandemia fazendo lives da residência oficial para se comunicar com o público, à época em lockdown.
Flávio também reforçou o uso de símbolos ligados ao movimento bolsonarista, como a bandeira do Brasil, e adotou um discurso mais combativo contra adversários políticos. Passou a falar “tá ok”, outra marca registrada na fala do pai.
A crise provocada por “Dark Horse” refletiu também nas pesquisas eleitorais.
Levantamento Datafolha divulgado dias após a revelação do caso mostrou queda de quatro pontos percentuais de Flávio Bolsonaro na intenção de voto em um cenário de primeiro turno, passando de 35% para 31%.
Nos bastidores, aliados minimizaram o resultado e classificaram o recuo como um “arranhão”, mas integrantes da campanha de Lula passaram a avaliar que o episódio havia afetado a imagem do senador junto ao eleitorado.
Até então, a estratégia eleitoral buscava apresentar Flávio como um nome capaz de preservar o legado do pai sem reproduzir integralmente seu estilo de enfrentamento.
A avaliação era de que um perfil mais moderado poderia facilitar o diálogo com eleitores independentes e reduzir a rejeição fora do núcleo bolsonarista.
A crise, no entanto, alterou esse cálculo político. Auxiliares passaram a defender que o principal desafio da campanha deixou de ser conquistar novos eleitores e passou a ser consolidar o apoio da base histórica do ex-presidente, diante do risco de dispersão dos votos da direita e das especulações sobre outros nomes para representar o campo conservador.
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