Na corrida à Câmara, candidatas recebem duas vezes menos doações do que homens
Mulheres recebem proporcionalmente menos que candidatos na disputa a todos os seis cargos em jogo
2026|Do R7
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Apesar dos esforços para equiparar o financiamento de campanhas femininas às masculinas, as mulheres continuam recebendo menos doações que os homens nas eleições de 2026.
A regra vale para todos os seis cargos em disputa, mas é na corrida à Câmara dos Deputados — que envolve um grande número de candidatos — que ela se mostra de maneira mais evidente. Ali, as candidatas femininas recebem até duas vezes menos do que os candidatos masculinos.
Em média, cada uma das 2.700 mulheres candidatas à Câmara dos Deputados recebeu nestas eleições R$ 7.640,59 por meio de doações feitas por pessoas físicas, outros candidatos ou recursos levantados em ferramentas de financiamento coletivo.
O montante, que exclui valores recebidos via fundo partidário ou Fundo Especial de Financiamento de Campanha, é mais de duas vezes menor do que o auferido pelos candidatos homens, que neste ano são 4.765 candidatos e, em média, arrecadaram R$ 15.519,84.
Somados, homens e mulheres já receberam mais de R$ 95,1 milhões em doações.
O levantamento feito pelo R7 foi retirado dos dados informados à plataforma de transparência de dados do TSE, levando em conta prestações de conta até o dia 16 de setembro.
O resultado, embora parcial, contradiz o objetivo da Justiça de tentar equiparar candidaturas femininas às masculinas.
As cotas de gênero obrigam que partidos destinem, no mínimo, 30% dos recursos públicos recebidos nos fundos para as candidatas.
Não há regramento nesse sentido, no entanto, para as demais formas legalizadas de doações.
Disputa ao Legislativo
No Senado, o cenário é um pouco mais positivo. As candidatas recebem, em média, 66% do que os homens arrecadaram até o momento. Cada candidato à Câmara Alta do Congresso já arrecadou R$ 87.834,99, enquanto as mulheres trabalham com doações de pessoas físicas de R$ 58.090,47 por candidata.
São 242 homens e 70 mulheres no páreo, que somam um montante de R$ 25,3 milhões em doações.
O pior cenário se dá nas corridas às assembleias legislativas. Lá, as mulheres recebem 2,25 a menos que os homens em doações.
Cada candidata a deputada arrecadou, em média, R$ 7.688,90. Enquanto isso, entre homens, a distribuição per capita fica em R$ 17.305,97, na média.
Disputa ao Executivo
A disparidade nas doações para candidatas aos governos estaduais e à Presidência é ainda maior. Vale salientar que, aqui, o número de candidatos é muito menor e poucas mulheres encabeçam chapas competitivas na corrida ao Planalto e aos executivos estaduais.
Na Presidência, por exemplo, há apenas duas candidatas, entre os 13 que disputam as eleições: Clarian Barão (DC) e Samara Martins (UP). Até o momento, elas receberam apenas 1,07% do total de doações feitas aos candidatos ao Planalto. Enquanto cada homem soma R$ 762.390,32 em média, as candidatas têm apenas R$ 45.360 em média.
Nos estados, o cenário é muito parecido. Cada candidato homem já arrecadou em doações R$ 234.143,04, enquanto as mulheres somam R$ 26.323,52 por candidata — são quase nove vezes menos. Em todo o país, são 35 mulheres e 163 homens que disputam o cargo de governador.
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