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Estudo aponta inhame roxo como aliado para produzir carne mais magra 

Composto natural do inhame roxo ajudou a reduzir gordura em cabras 

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Antocianinas reduziram gordura e elevaram proteína. (Foto: Getty Images via Canva) Fala Ciência

Os alimentos ricos em pigmentos naturais vêm despertando cada vez mais interesse da ciência por seus efeitos sobre a saúde e o metabolismo. Agora, uma nova pesquisa sugere que o inhame roxo também pode contribuir para uma produção animal mais eficiente. O estudo mostrou que compostos extraídos desse tubérculo ajudaram a reduzir o acúmulo de gordura corporal e a melhorar a composição da carne em cabras criadas em regiões tropicais.

Publicado na revista científica Food Chemistry, o trabalho liderado por Fengyuan Yang e colaboradores (2026) avaliou os efeitos das antocianinas presentes no inhame roxo (Dioscorea alata) sobre o metabolismo, a saúde digestiva e a qualidade da carne de cabras pretas de Hainan.


O composto do inhame roxo que chamou atenção dos pesquisadores

As antocianinas são substâncias naturais responsáveis pelas tonalidades roxas, azuis e avermelhadas encontradas em diversos vegetais e frutas. Além de conferirem cor aos alimentos, elas possuem uma reconhecida ação antioxidante.


Nos testes realizados em laboratório, os pesquisadores observaram que o extrato de inhame roxo apresentou uma elevada capacidade de neutralizar radicais livres. O desempenho alcançou cerca de 93% de eliminação de radicais ABTS, resultado semelhante ao obtido com a vitamina C.

Esse efeito é especialmente relevante porque o estresse oxidativo pode comprometer o metabolismo, a saúde dos tecidos e o desempenho produtivo dos animais.


Menos gordura e mais proteína na carne

Os resultados mais expressivos apareceram após 60 dias de suplementação alimentar com antocianinas.


Ao final do experimento, as cabras apresentaram mudanças importantes na composição corporal:

  • 23% menos gordura intramuscular
  • 15% mais proteína na carne
  • 19% menos gordura subcutânea
  • 22% menos gordura na região da cauda

Essas alterações indicam uma carne mais magra e com maior valor nutricional. Além disso, os animais apresentaram melhora em marcadores metabólicos relacionados ao processamento de gorduras pelo organismo.

Os resultados sugerem que as antocianinas influenciam diretamente o metabolismo lipídico, reduzindo o armazenamento excessivo de gordura e favorecendo uma composição corporal mais equilibrada.

O que aconteceu dentro do rúmen

Além das mudanças observadas na carne, os cientistas identificaram transformações importantes no rúmen, compartimento digestivo fundamental para cabras, bovinos e outros ruminantes.

A suplementação promoveu alterações na microbiota ruminal, aumentando a presença de microrganismos associados a uma fermentação mais eficiente dos alimentos. Como consequência, houve maior produção de ácidos graxos voláteis, substâncias que desempenham papel central no fornecimento de energia e na síntese de proteínas.

Paralelamente, a estrutura do tecido ruminal apresentou melhorias, indicando um ambiente digestivo mais saudável e capaz de aproveitar melhor os nutrientes da dieta.

Defesa antioxidante mais eficiente

Outro destaque do estudo foi o fortalecimento das defesas naturais do organismo contra os danos oxidativos.

As cabras suplementadas apresentaram aumento da atividade de enzimas antioxidantes importantes, incluindo:

  • Catalase
  • Glutationa peroxidase

Ao mesmo tempo, os pesquisadores registraram uma redução significativa da peroxidação lipídica, processo associado à degradação das gorduras celulares.

Na prática, isso significa que os tecidos musculares ficaram mais protegidos contra danos provocados pelo estresse oxidativo, contribuindo para uma melhor qualidade da carne.

O que a descoberta significa para a pecuária?

A busca por aditivos naturais capazes de substituir compostos sintéticos é uma das principais tendências da produção animal moderna. Nesse contexto, os resultados obtidos com as antocianinas do inhame roxo chamam atenção por combinar benefícios metabólicos, digestivos e produtivos.

Segundo o estudo publicado na revista Food Chemistry por Yang et al. (2026), esses compostos demonstram potencial para atuar como um aditivo alimentar funcional, ajudando a melhorar a saúde dos animais e a produzir carne com menor teor de gordura.

Embora novas pesquisas ainda sejam necessárias para ampliar sua aplicação em larga escala, os resultados mostram que ingredientes naturais presentes em alimentos comuns podem desempenhar um papel importante no futuro da pecuária sustentável.

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