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Nutriente essencial pode estar em falta no cérebro de pessoas ansiosas 

Nova evidência liga metabolismo cerebral e transtornos de ansiedade 

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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Estudo mostra mudança química em cérebros ansiosos. (Foto: Fala Ciência via Canva) Fala Ciência

A ansiedade, um dos transtornos mais comuns da atualidade, pode estar relacionada a uma alteração química silenciosa no cérebro. Uma nova análise científica indica que pessoas com transtornos de ansiedade apresentam níveis reduzidos de um nutriente essencial chamado colina, importante para o funcionamento cerebral, memória e regulação emocional.

O achado foi publicado na revista científica Molecular Psychiatry em 2025, em um estudo conduzido por Richard J. Maddock e Jason Smucny, da UC Davis Health, nos Estados Unidos.


A descoberta surgiu após a análise de dados de diversos estudos que investigaram substâncias químicas do cérebro, trazendo um panorama mais amplo sobre o funcionamento neurológico da ansiedade.

O que acontece no cérebro de indivíduos com ansiedade 


Os pesquisadores identificaram um padrão consistente: indivíduos com ansiedade apresentaram cerca de 8% menos colina no cérebro quando comparados a pessoas sem o transtorno.

Essa diferença foi mais evidente no córtex pré-frontal, região responsável por funções essenciais como:


controle das emoções
tomada de decisões
organização do pensamento
resposta ao estresse

Embora pareça uma variação pequena, no contexto da química cerebral ela pode ter impacto significativo no equilíbrio emocional.


Além da colina, também foram observadas alterações em outros marcadores, como o NAA (N-acetil aspartato), associado à saúde dos neurônios.

Colina: o nutriente essencial para o cérebro

Falta de colina pode influenciar a saúde mental. (Foto: Fala Ciência via Gemini) Fala Ciência

A colina é um composto essencial ao organismo humano, importante para o cérebro. Ela participa da formação das membranas celulares, auxilia na memória, na sinalização nervosa e no controle do humor.

O corpo produz apenas pequenas quantidades desse composto. Por isso, a maior parte precisa ser obtida por meio da alimentação.

Quando há demanda elevada no cérebro, como em situações de estresse constante, pode ocorrer um desequilíbrio entre o consumo e a reposição desse nutriente.

Estresse constante pode aumentar a demanda cerebral

Os transtornos de ansiedade estão ligados a um estado de alerta prolongado no organismo, conhecido como resposta de “luta ou fuga”.

Esse mecanismo envolve regiões como:

amígdala, ligada à percepção de ameaça
córtex pré-frontal, responsável pelo controle emocional

Quando esse sistema fica hiperativado, pode haver aumento da necessidade de substâncias como a colina, o que, ao longo do tempo, pode contribuir para sua redução no cérebro.

O que as pesquisas científicas já identificaram até o momento 

A pesquisa divulgada na revista Molecular Psychiatry combinou dados de 370 indivíduos com ansiedade e 342 pessoas sem o transtorno, utilizando técnicas de imagem cerebral não invasiva capazes de quantificar substâncias químicas no cérebro.

Os resultados mostraram consistência entre diferentes tipos de transtornos de ansiedade, incluindo:

ansiedade generalizada
transtorno do pânico
ansiedade social
fobias específicas

Isso sugere que a alteração pode ser um padrão comum, e não algo isolado.

Dieta, cérebro e saúde mental

A descoberta abre espaço para novas hipóteses sobre a relação entre nutrição e saúde mental. Alimentos ricos em colina incluem ovos, carnes, peixes, soja e leite, além de algumas fontes de gorduras saudáveis como os ômega-3.

No entanto, os pesquisadores destacam que ainda não existe evidência de que suplementar colina trate ansiedade diretamente.

Até o momento, as evidências indicam que: 

• há uma diferença química mensurável no cérebro
• essa diferença está ligada ao metabolismo da colina
• ainda não está claro se a dieta causa ou apenas acompanha o transtorno

Um novo caminho para entender a ansiedade

Embora preliminar, o estudo oferece uma nova perspectiva sobre a ansiedade.

Em vez de olhar apenas para emoções e comportamento, a pesquisa aponta para um possível componente biológico relacionado à química cerebral e ao metabolismo de nutrientes essenciais.

Essa linha de investigação pode ajudar, no futuro, a entender melhor como o cérebro reage ao estresse e como diferentes fatores, incluindo a alimentação, podem influenciar o equilíbrio mental.

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