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Novo estudo muda visão sobre ovos e gordura no fígado 

Ciência investiga impacto dos ovos na saúde do fígado

Fala Ciência

Fala Ciência|Do R7

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A relação entre alimentação e saúde do fígado segue como um dos temas mais estudados da medicina moderna. Agora, uma pesquisa de grande porte trouxe um resultado importante: os ovos não apresentaram impacto direto no risco de fígado gorduroso, mas um nutriente presente neles, a colina, pode estar associado a um efeito protetor.

A pesquisa, publicada no Journal of Nutrition (Ioanna Yiannakou, 2024), analisou dados do conhecido Framingham Heart Study, uma das maiores e mais tradicionais coortes de saúde dos Estados Unidos. O objetivo foi entender como o consumo de ovos e nutrientes associados impacta o desenvolvimento da doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA).


Como o estudo investigou a saúde do fígado

Os pesquisadores acompanharam 1.414 participantes ao longo de cerca de seis anos. Durante esse período, foram avaliados:


consumo de ovos na dieta
ingestão de colina, luteína e zeaxantina
alterações na gordura hepática por tomografia computadorizada
risco de desenvolvimento de DHGNA

A análise utilizou exames de imagem avançados para medir a quantidade de gordura no fígado e identificar novos casos da doença ao longo do tempo.


O que os resultados mostraram

Um dos achados mais importantes foi que o consumo de ovos, por si só, não esteve diretamente associado ao aumento ou redução do risco de fígado gorduroso. Ou seja, não houve evidência de que comer mais ou menos ovos alterasse significativamente a incidência da doença.


Da mesma forma, outros componentes presentes nos ovos, como luteína e zeaxantina, também não mostraram relação clara com a progressão da DHGNA.

Por outro lado, um resultado chamou atenção dos pesquisadores.

Colina aparece como fator protetor do fígado

A análise revelou que a ingestão de colina na dieta esteve associada a um menor risco de desenvolvimento de fígado gorduroso.

Os dados mostraram que indivíduos no tercil mais alto de consumo de colina apresentaram cerca de 31% menos risco de DHGNA em comparação com aqueles no tercil mais baixo.

Esse achado sugere que o benefício observado não está ligado aos ovos isoladamente, mas sim ao seu papel como uma das principais fontes alimentares de colina, nutriente essencial para o metabolismo hepático.

Por que a colina é tão importante para o fígado?

A colina participa de processos fundamentais no organismo, especialmente no fígado. Entre suas funções, destacam-se:

• ajuda no transporte de gordura para fora do fígado
• contribui para a formação de membranas celulares
• participa do metabolismo de lipídios
• auxilia no equilíbrio energético hepático

Quando há baixa ingestão desse nutriente, o organismo pode ter mais dificuldade para processar e eliminar gordura hepática, favorecendo o acúmulo no fígado ao longo do tempo.

Embora o estudo não associe diretamente o consumo de ovos à prevenção da DHGNA, ele destaca um ponto essencial: a qualidade nutricional da dieta pode ser mais importante do que um alimento isolado.

Além disso, reforça a relevância da colina na saúde metabólica, abrindo espaço para novas pesquisas sobre seu papel na prevenção de doenças hepáticas.

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