Vírus presentes em bactéria intestinal podem estar ligados ao câncer colorretal
Estudo identificou vírus presentes em uma bactéria intestinal frequentemente encontrada em pacientes com câncer colorretal
Fala Ciência|Do R7

Uma descoberta feita por pesquisadores da Dinamarca está ajudando a ampliar o entendimento sobre um dos cânceres mais frequentes do mundo. Um novo estudo apontou que vírus encontrados em uma bactéria comum da microbiota podem estar associados ao câncer colorretal, levantando hipóteses sobre os mecanismos envolvidos no surgimento da doença.
A pesquisa, publicada em 7 de fevereiro de 2026 na revista Communications Medicine, analisou diferenças genéticas em cepas da bactéria Bacteroides fragilis e encontrou uma associação relevante com determinados vírus incorporados ao material genético desse microrganismo. Embora os resultados não comprovem uma relação de causa e efeito, eles apontam para um caminho promissor de investigação científica.
Um mistério que intrigava os cientistas
Há anos, pesquisadores observam que a Bacteroides fragilis aparece com frequência em pacientes diagnosticados com câncer colorretal. No entanto, essa mesma bactéria também faz parte da microbiota intestinal de muitas pessoas saudáveis.
Essa aparente contradição levou os cientistas a buscar diferenças mais profundas entre as bactérias encontradas em indivíduos com e sem a doença.
Para isso, a equipe utilizou uma técnica conhecida como estudo de associação do pangenoma, que permite comparar características genéticas presentes em diferentes grupos de microrganismos.
O papel dos vírus escondidos dentro das bactérias
A análise revelou um detalhe surpreendente. Algumas sequências genéticas relacionadas a profagos, que são vírus integrados ao DNA das bactérias, apareceram com muito mais frequência nas amostras associadas ao câncer colorretal.
Isso sugere que a simples presença da bactéria pode não ser o único fator relevante. Os vírus carregados por ela também podem desempenhar algum papel importante no ambiente intestinal.
Segundo os resultados publicados na Communications Medicine, as diferenças observadas estavam associadas especificamente a determinadas variantes genéticas da bactéria, indicando que nem todas as cepas apresentam as mesmas características biológicas.
Resultados foram confirmados em centenas de pessoas
Para aumentar a confiabilidade dos achados, os pesquisadores testaram a descoberta em um grupo independente formado por 877 participantes da Europa, dos Estados Unidos e da Ásia.
A associação voltou a aparecer. Os indivíduos diagnosticados com câncer colorretal apresentaram aproximadamente duas vezes mais chances de carregar os marcadores virais identificados no estudo.
O fato de os resultados terem sido observados em populações distintas fortalece a consistência da associação encontrada pelos cientistas.
O que a descoberta significa na prática?
Apesar da relevância dos achados, os pesquisadores alertam que ainda não é possível afirmar que os vírus causam câncer.
Diversas hipóteses continuam em aberto. Os profagos podem contribuir para alterações biológicas que favorecem o desenvolvimento da doença, podem modificar o ambiente intestinal ou simplesmente se tornar mais comuns após o surgimento do tumor.
Por isso, novas pesquisas serão necessárias para esclarecer exatamente como esses vírus interagem com a microbiota e qual é seu papel nos mecanismos relacionados ao câncer colorretal.
Ainda assim, o estudo publicado na Communications Medicine, em fevereiro de 2026, oferece uma nova perspectiva sobre a complexa relação entre bactérias, vírus e saúde intestinal, abrindo caminho para futuras investigações que poderão contribuir para a compreensão e o monitoramento dessa doença.














