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Acusado de crimes contra humanidade, ex-presidente do Haiti dribla a Justiça

Internacional|Do R7

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Porto Príncipe, 7 fev (EFE).- O ex-presidente do Haiti, Jean-Claude Duvalier, denunciado por delitos financeiros e crimes contra a humanidade, não compareceu neste quinta-feira, pela segunda vez, a um tribunal de Porto Príncipe, ao qual se queixou por carta dos "atos abomináveis" cometidos contra seus partidários. O tribunal deve decidir se é válida a decisão adotada em primeira instância de tramitar a causa contra Duvalier apenas por desvio de fundos e não por crimes de lesa-humanidade, como reivindicam as organizações e afetados que apresentaram mais de 20 denúncias contra o antigo presidente vitalício (1971-1986). Porém, o ex-governante, considerado um temível ditador a quem organismos de defesa dos direitos humanos atribuem a morte ou o exílio de mais de 30 mil pessoas, permaneceu mais uma vez ausente da sala e o tribunal fixou uma nova audiência para 21 de fevereiro a pedido de seus advogados. Os advogados leram uma carta na qual explicaram que a convocação foi "prematura" e "não foi feita" após os correspondentes debates. Duvalier, em sua carta, lembrou que hoje se completam 27 anos de sua saída do país e, por isso, seria impossível realizar a audiência em uma situação de serenidade. O 7 de fevereiro deveria ser "uma data de reconciliação nacional" para o ex-mandatário, que mencionou "atos abomináveis" cometidos contra seus partidários após sua saída do país em 1986. O ex-presidente vitalício, no entanto, não mencionou os crimes perpetrados por seu regime e dos quais lhe acusam vítimas que apresentaram denúncias contra si. Durante a sessão, que se desenvolveu em uma atmosfera agitada, a negativa foi a principal arma dos advogados de Duvalier, que não quiseram reconhecer uma parte civil no caso nem o direito das vítimas a estar presentes. Os juízes suspenderam a audiência momentaneamente depois que os advogados de Duvalier se negaram a que se concedesse a palavra a seus colegas da parte civil. Também se negaram a aceitar que o caso se refere a crimes de lesa-humanidade, como sustentam os denunciantes, e só admitiram as acusações por delitos financeiros que são objeto de uma denúncia do Estado haitiano. Perante o tribunal, situado no litoral oeste de Porto Príncipe, os partidários do ex-ditador se reuniram desde muito cedo e também estiveram na sede judicial jovens que desfraldaram cartazes para reivindicar o julgamento e a condenação de Duvalier. Hoje foram convocados em Porto Príncipe vários atos por ocasião do 27º aniversário da queda do regime ditatorial de Duvalier, sucessor de seu pai, François Duvalier (1957-1971), até que fugiu à França, onde esteve durante 25 anos, para retornar em janeiro de 2011. Para assinalar a data, a Fundação Conhecimento e Liberdade (Fokal, em creole) organizou uma exposição que lembra a cronologia dos eventos que levaram ao fim desse regime em 7 de fevereiro de 1986. A Fokal convocou também um debate entre sua presidente, a ex- primeira-ministra Michèle Pierre Louis e o jornalista e historiador Michel Soukar, e exibirá um documentário centrado nos eventos políticos que rodearam as eleições gerais de 29 de novembro de 1987. O filme mostra os intensos momentos da queda de Duvalier, percebida por muitos como uma esperança de liberdade para o Haiti, um país castigado há anos por crises políticas, pela miséria e pelos desastres naturais e que apenas começa a recuperar-se do terremoto de 2010, que causou 300 mil mortes. EFE gp/rsd (foto)

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