Adorado por comunistas, carreira de Niemeyer foi marcada por exílio, resistência e revoluções
Arquiteto brasileiro morreu nesta quarta-feira (5), no Rio de Janeiro
Internacional|Do R7, com agências internacionais

Na França, o partido comunista prestou uma homenagem ao brasileiro. No Brasil, lembrou-se da amizade com Luis Carlos Prestes e Lula, além da vida no exílio. Em Cuba, o jornal oficial publicou a foto de “um dos únicos comunistas que ainda existiam”, destacando sua amizade com Fidel Castro e o apoio “a la revolución”.
A morte de Oscar Niemeyer, confirmada na noite desta quarta-feira (5) no Rio de Janeiro, provocou uma série de homenagens “vermelhas” ao arquiteto brasileiro, que sempre se assumiu comunista, levando para suas obras o traço da ideologia.
Niemeyer foi até o fim da vida um eterno defensor e amigo do ex-líder cubano Fidel Castro. O brasileiro foi homenageado aos 80 anos com a Plaza Niemeyer, no centro de Havana.
Hoje, o jornal oficial cubano Granma noticiou na primeira página a morte de Niemeyer, chamado de "grande amigo de Cuba, da Revolução e de Fidel".
A publicação também citou uma declaração do arquiteto sobre o comunismo:
"Nunca me calarei. Nunca esconderei minhas convicções comunistas. E quem me contrata como arquiteto conhece minhas concepções ideológicas", teria dito Niemeyer no "final de seus dias", de acordo com o Granma. O jornal ainda publicou uma foto de Niemeyer ao lado de Fidel.
Você conhece as obras de Niemeyer pelo mundo? Veja
Um artigo do diário também lembrou que, ao lado de Luis Carlos Prestes, Niemeyer entrou no Partido Comunista do Brasil, e que uma de suas últimas obras, que está na Universidade de Ciências Informáticas de Havana, é um monumento contra o bloqueio econômico a Cuba.
O jornal britânico Financial Times lembrou hoje que Niemeyer foi definido pelo líder cubano Fidel Castro como "o outro único comunista" restante no mundo, além dele mesmo Prestes foi reconhecidamente outro dos grandes amigos “vermelhos” de Niemeyer.
Depois do exílio na Rússia, após a anistia, em 1979, Prestes ganhou do amigo um apartamento. Até hoje, sua esposa, Maria Prestes, vive nesse apartamento, na Gávea, zona sul do Rio.
Filiação na França e Brasil
Niemeyer ingressou no Partido Comunista Brasileiro logo após conhecer o revolucionário brasileiro, em 1945.
Após ingressar no PCB, Niemeyer foi convidado para dar um curso na Universidade de Yale, nos Estados Unidos, mas teve o visto de entrada cancelado.
Dois anos depois, ele recebeu permissão especial do governo norte-americano para ir a Nova York, onde um de seus mais famosos projetos estava em desenvolvimento: a sede das Nações Unidas.
Em 1964, apenas três anos após a inauguração de Brasília, Niemeyer é surpreendido com o golpe militar no Brasil durante viagem a Israel.
Ao voltar ao País, em novembro daquele ano, é chamado para depor no Dops (Departamento de Ordem Pública e Social).
Impedido de trabalhar no Brasil, Niemeyer se instala em 1967 em Paris, trabalhando em projetos na França, Itália e Argélia.
O arquiteto desenhou e concebeu a sede do Partido Comunista da França durante o seu exílio no país nos anos 1970, em uma de suas obras emblemáticas, localizada no outrora proletário leste de Paris.
Refugiado político na França, Niemeyer fez o desenho do edifício em apenas três dias e o ofereceu como um presente ao Partido Comunista Francês.
Todos os anos, 15.000 visitantes "de escolas de Arquitetura do mundo inteiro" visitam o local.
Chamada por muito tempo de "bunker", "fortaleza", "abrigo anti-atômico", a sede do Partido Comunista Francês abre agora suas portas para o cinema, para a alta costura ou para conferências.
Em sinal de luto, as bandeiras do Brasil e da França estão a meio-mastro na sede do PCF, onde um livro de ouro foi aberto.
Em Cuba, o Granma destacou hoje a "paixão pelos mais humildes, como revolucionário" e a admiração por Cuba, que ficou mais triste com a morte de Niemeyer.








