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África do Sul mobiliza 11 mil militares para proteger líderes em semana de homenagens a Mandela

Primeiro teste de fogo ocorre nesta terça-feira (10) com cerimônia religiosa de corpo presente

Internacional|Do R7

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Estádio é preparado para receber multidão nesta terça-feira (10)
Estádio é preparado para receber multidão nesta terça-feira (10)

Cerca de cem líderes estrangeiros, milhares de anônimos e uma série de cerimônias até o enterro em um pequeno vilarejo rural fazem com que o funeral de Nelson Mandela represente um grande desafio logístico e de segurança para a África do Sul. O teste de fogo ocorre já nesta terça-feira (10), quando os líderes mundiais estarão no estádio Soccer City, em Johannesburgo, para participarem da homenagem religiosa com corpo presente, em que são esperadas 80 mil pessoas.

"Todos os semáforos estão verdes, seguimos um programa que foi estabelecido há três ou quatro anos", assegura a ministra da Defesa, Nosiviwe Mapisa-Nqakula, citada pela agência de notícias Sapa.


As autoridades se preparam de fato há anos para a partida do herói da luta contra o apartheid e primeiro presidente negro do país, falecido quinta-feira aos 95 anos após uma longa luta contra uma pneumonia reincidente.

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Elas apresentaram rapidamente o programa da semana de luto nacional com três momentos de destaque: uma homenagem oficial na terça-feira em Johannesburgo, a exposição ao público do corpo em Pretória entre quarta e sexta-feira, e o funeral domingo em Qunu, pequena aldeia onde Mandela passou a infância.

Em um país marcado por um índice de criminalidade recorde, com 45 homicídios por dia, o governo tem prestado atenção especial à segurança.


A coordenação foi confiada a um "centro de operações conjuntas", uma estrutura dirigida pela polícia em parceria com o Exército — que mobiliza 11 mil militares para o evento — e os ministérios envolvidos.

Sua primeira missão: proteger os líderes estrangeiros, incluindo cerca de cem chefes de Estado e de Governo, como Barack Obama, Dilma Rousseff, François Hollande e David Cameron, mas também artistas, como o cantor Bono Vox, e empresários, como Richard Branson.

"Receber tantos chefes de Estado não é um quebra-cabeça: temos experiência e vamos trabalhar em conjunto com os serviços de segurança", declarou à AFP o porta-voz da polícia, Solomon Makgale.

A embaixada dos Estados Unidos corroborou o discurso, explicando que tem "trabalhado em estreita colaboração" com os serviços sul-africanos. "Como o presidente Obama já veio à África do Sul, há cinco meses, conhecemos muito bem os nossos colegas", acrescentou Jack Hillmeyer, porta-voz da embaixada.

A África do Sul também se baseia nas lições aprendidas durante a tomada de posse de Nelson Mandela após sua eleição em 1994, que contou com mais de 50 líderes estrangeiros.

Mais recentemente, organizou, sem grandes problemas, a Copa do Mundo de 2010.

Como durante a Copa, "uma de suas abordagens é tentar limitar o fluxo de pessoas no local", observou Johan Berger, do Instituto de Estudos de Segurança (ISS).

Vias de acesso fechadas

A cerimônia de terça-feira será realizada no estádio Soccer City, em Soweto, capaz de acomodar cerca de 80 mil pessoas, e também será transmitida ao vivo pela televisão, em três outros estádios de Johannesburgo e em 150 telões espalhados por todo o país.

Para evitar superlotação, as principais vias de acesso ao estádio serão fechadas ao trânsito, enquanto linhas de ônibus e trens vão garantir o transporte gratuitamente.

O acesso à Pretória também será controlado durante os três dias de velório de Nelson Mandela.

Para que os sul-africanos que desejarem prestar uma última homenagem ao pai da Nação Arco-Íris não fiquem restritos ao perímetro de segurança, o governo abriu uma linha direta para ajudá-los a se organizar.

Um outro desafio é a organização do enterro no domingo em Qunu, pequeno vilarejo que possui apenas uma estrada de acesso.

As autoridades "tentaram desaconselhar os líderes a comparecerem ao enterro por causa da infraestrutura limitada nesta região (...) e pelo fato de ser mais difícil garantir a segurança", revelou Berger.

O porta-voz da diplomacia sul-africana, Clayson Monyela, também mencionou no domingo o "pesadelo" logístico em Qunu, caso todos compareçam.

A mensagem parece ter sido ouvida, já que apenas o príncipe Charles da Inglaterra anunciou sua participação no enterro.

Ao final, considera Berger, "haverá, sem dúvida, soluços aqui e ali, mas, no geral, existem as estruturas, a experiência, e eles serão capazes de garantir a segurança da operação".

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