Análise: reconstrução de Gaza fica comprometida sem o desarmamento do Hamas
Decisão do grupo terrorista de deixar o domínio do território ‘tem sido vista com bastante ceticismo’, afirma Vitelio Brustolin
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
Em meio aos diversos conflitos que assolam o Oriente Médio, o Hamas fez um anúncio inesperado nesta segunda-feira (6): depois de quase 20 anos no poder, o grupo terrorista informou que vai deixar de governar a Faixa de Gaza e que um comitê de especialistas palestinos deve administrar o território. O comunicado oficial, contudo, não menciona o desarmamento, o que gerou desconfiança em Israel.
As suspeitas têm fundamento, segundo o professor de relações internacionais da UFF (Universidade Federal Fluminense), Vitelio Brustolin. “Tem sido vista com bastante ceticismo essa decisão [...]. Os 20 pontos de paz acordados para a Faixa de Gaza preveem que o Hamas vai depor as armas, e o Hamas não quer abandonar a luta armada. Isso já ficou muito claro. [...] Sem isso, não tem início da reconstrução de Gaza”.
Brustolin entende que, ao manter uma forte presença armada na região, o Hamas instaura uma espécie de segundo governo que pode assumir o comando a qualquer momento. “O que o Hamas alega é que só vai abandonar a luta armada quando o Estado da Palestina for reconhecido, o que não está previsto nos 20 pontos. [...] O impasse continua”, conclui o professor no Conexão Record News desta terça-feira (7).
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