Análise: rendição não é uma opção para os ucranianos
Para Vitelio Brustolin, fim dos ataques russos só seria possível sem Putin no poder
Internacional|Do R7, com RECORD NEWS
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Uma trégua entre Rússia e Ucrânia não está no horizonte próximo, avalia o professor de relações internacionais Vitelio Brustolin. Em entrevista ao Conexão Record News, ele analisa os reflexos do conflito, especialmente quanto à questão da segurança alimentar, e reflete sobre as posições de Moscou e Kiev após mais de quatro anos de guerra.
Em meio às denúncias da Turquia de que ataques de drones atingiram navios civis no Mar Negro na segunda-feira (3), teme-se que uma escalada traga repercussões negativas para o preço dos alimentos. Tanto Rússia quanto Ucrânia, importantes exportadoras agrícolas, têm atacado instalações de exportação e navios comerciais uma da outra na região nas últimas semanas.

“Essa questão dos alimentos escoados do Mar Negro, que precisam passar por dois estreitos ali da Turquia, para chegar ao Mar Egeu e ao resto do mundo, tinha sido amenizada. Mas isso, nesse momento, foi abalado”, pontua o especialista. Ao mesmo tempo, ele diz que é uma ilusão pensar que, se a Ucrânia desistisse de se defender, cessariam as mortes e a guerra. “Na verdade, seriam purgados os que defenderam a Ucrânia.”
“Para os ucranianos não há opção, porque, mesmo que eles se rendessem, muita gente seria morta. E, para os russos, a opção seria parar a guerra nesse momento, mas aí o Putin não ficaria no poder. Ou seria retirado e preso, ou seria morto, porque levou o país a uma guerra bastante destrutiva para a Rússia. Então, dos dois lados existe resistência a parar a guerra e fazer qualquer tipo de trégua, e enxergar um acordo de paz”, conclui Brustolin.
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