Anelka comemora gol com gesto em apoio a humorista envolvido em polêmica
Internacional|Do R7
Paris, 28 dez (EFE).- O atacante Nicolas Anelka colocou lenha na fogueira das discussões sobre racismo na França envolvendo o humorista Dieudonné ao fazer em campo neste sábado a "quenelle", um gesto criado pelo provocador comediante e que o Governo francês quer proibir por considerá-lo antissemita. O ex-jogador da seleção da França, adepto às provocações, comemorou com o gesto supostamente antissemita um de seus dois gols no empate entre sua equipe, o West Bromwich, e o West Ham, pela primeira divisão do Campeonato Inglês. "Este gesto foi apenas uma dedicação especial ao meu amigo comediante Dieudonné", escreveu Anelka no Twitter, rede social que não usava há mais de dois meses. O gesto consiste em estender um braço para o chão e atravessar a mão contrária sobre o ombro, no que algumas associações detectam uma alusão à saudação nazista. A ministra de Esportes da França, Valérie Fourneyron, condenou pelo Twitter o que chamou de "provocação asquerosa" do jogador de 34 anos, que carrega um histórico de polêmicas em seu país. A última delas havia acontecido durante a Copa do Mundo de 2010, quando liderou um motim contra o técnico Raymond Domenech, o que lhe rendeu 18 jogos de suspensão da seleção e abreviou sua carreira entre os 'Bleus'. Com a comemoração, Anelka tomou partido em um debate público. Na sexta-feira, o Ministério do Interior da França anunciou que estuda proibir os espetáculos de Dieudonné, os quais "não têm uma dimensão criativa, contribuindo antes, a cada nova representação, para aumentar o risco de desordens públicas". A reação do Ministério aconteceu depois que o humorista teve como alvo alguns jornalistas de origem judaica no espetáculo que apresenta em seu próprio teatro, situado no sul de Paris. O artista já foi condenado por manifestações racistas, como a negação do Holocausto, um delito na França. O ministro do Interior, Manuel Valls, reiterou neste sábado em entrevista publicada pelo jornal "Le Parisien" que o Governo tentará proibir os espetáculos de Dieudonné. "Não é tolerável. Quando Quand Dieudonné insulta a memória das vítimas da Shoah, é insustentável. Já basta. É preciso quebrar essa mecânica do ódio", declarou Valls. Alguns fãs do humorista se reuniram neste sábado em frente às portas do teatro para apoiá-lo, enquanto o artista comemorou, também através de redes sociais, o gesto de Anelka. EFE jaf/dr









