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Após ataques de tubarão, Austrália usa drones para vigiar 70 praias

Medida tenta recuperar a confiança dos moradores e turistas antes verão, quando as praias ficam ainda mais movimentadas

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Drones estão sendo usados para monitorar 70 praias na Austrália após uma série de ataques de tubarão.
  • O programa de vigilância é parte de uma iniciativa de 34 milhões de dólares australianos lançada pelo governo de Nova Gales do Sul.
  • Desde o início do programa, mais de 750 tubarões foram avistados e 200 intervenções foram realizadas.
  • Especialistas alertam que, apesar da eficácia dos drones, eles têm limitações e não eliminam completamente o risco de ataques.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Operador faz uma varredura por setores, enquanto procura qualquer sinal que possa indicar a presença de um animal Reprodução/slscc.com.au

As praias de Sydney, na Austrália, passaram a contar com uma nova ferramenta para tentar reduzir o medo provocado pela recente sequência de ataques de tubarão: drones equipados para monitorar o mar. A tecnologia permite que operadores acompanhem a movimentação da água em busca de animais potencialmente perigosos.

Segundo reportagem do The Guardian, o programa faz parte de uma iniciativa de 34 milhões de dólares australianos (cerca de R$ 124,5 milhões) lançada pelo governo de Nova Gales do Sul em julho. Ao todo, 70 praias do estado participam do sistema de vigilância do amanhecer ao fim da tarde, enquanto 38 praias oceânicas de Sydney contam com monitoramento durante todo o ano.


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A expansão ocorreu depois de uma série de incidentes registrados na região nos últimos meses. Um dos casos mais graves aconteceu em junho, quando Leah Stewart, de 34 anos, foi atacada por um tubarão-branco de aproximadamente quatro metros. Ela perdeu o braço esquerdo após o confronto, que descreveu posteriormente como uma luta “como se estivesse lutando contra um dinossauro”.

Como funciona a vigilância

Um dos operadores acompanhados pelo The Guardian foi Taha Kafil-Hussain, de 22 anos, que trabalha há quatro anos com drones para a Surf Life Saving NSW. Durante os voos, ele percorre a área do mar sistematicamente, observando a superfície em busca de movimentos fora do padrão.


O equipamento chega a cerca de 60 metros de altitude e permanece aproximadamente 20 minutos no ar em cada operação. O operador faz uma varredura por setores, indo de um lado para outro da baía, enquanto procura qualquer sinal que possa indicar a presença de um animal.

A orientação é observar principalmente objetos que se movimentem de maneira diferente da correnteza, tenham formato alongado ou apresentem algum comportamento incomum. Quando algo chama atenção, o operador pode aproximar a imagem para tentar identificar o que está na água.


Os drones também possuem alto-falantes, permitindo que os profissionais se comuniquem diretamente com surfistas e nadadores. Quando um possível risco é identificado, o alerta pode ser transmitido aos salva-vidas, que decidem se é necessário retirar as pessoas da água. De acordo com o The Guardian, o processo entre a identificação de um perigo e a retirada dos banhistas pode levar cerca de dois ou três minutos.

Mais de 750 avistamentos

A ampliação do monitoramento também aumentou o número de registros de tubarões. O governo de Nova Gales do Sul informou que, desde o início do programa, em 1º de julho, os drones da Surf Life Saving NSW já registraram mais de 750 avistamentos e realizaram mais de 200 intervenções.


Além dos drones, estações de monitoramento acústico acompanham a movimentação de diferentes espécies consideradas de maior risco. Segundo os dados citados pelo The Guardian, são monitorados 1.698 tubarões-brancos, 938 tubarões-tigres e 374 tubarões-touro.

A tecnologia, porém, não é considerada uma solução definitiva. Christopher Pepin-Neff, professor associado da Universidade de Sydney e especialista em políticas relacionadas a tubarões, afirmou ao jornal britânico que os drones são atualmente “a melhor tecnologia que temos”.

Ao mesmo tempo, ele alertou que existem limitações. Em condições de vento forte ou quando o animal é pequeno, por exemplo, pode ser difícil para o operador enxergar o tubarão. Para o especialista, também é necessário explicar essas limitações ao público para evitar que os banhistas desenvolvam uma falsa sensação de segurança ou, no extremo oposto, um medo ainda maior do oceano.

A estratégia das autoridades não consiste apenas em detectar tubarões. O objetivo também é recuperar a confiança dos moradores e turistas antes da chegada do verão australiano, período em que as praias ficam ainda mais movimentadas.

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