Após triunfo europeísta em Kiev, rebeldes preparam as próprias eleições
Internacional|Do R7
Boris Klimenko Kiev, 28 out (EFE).- Enquanto os resultados oficiais das eleições legislativas realizadas no domingo na Ucrânia confirmam o triunfo dos partidos europeístas, os separatistas pró-Rússia do sudeste do país se preparam para fazer o próprio pleito no dia 2 de novembro, medida não reconhecida por Kiev. Com mais de 90% dos votos apurados, as eleições apontam uma vitória da Frente Popular, partido do primeiro-ministro ucraniano, Arseni Yatseniuk, e do bloco do presidente Petro Poroshenko, com 22,16% e o 21,77%, respectivamente. Segundo dados divulgados pela Comissão Eleitoral, no terceiro lugar aparece o também europeísta Autoajuda, de Andrei Sadovi, prefeito de Lviv, a principal cidade do oeste da Ucrânia, com 10,96% dos votos. Com a apuração quase finalizada, também ganha destaque o inesperado bom resultado do Bloco Opositor, criado por antigos membros do desmantelado Partido das Regiões, do presidente derrubado Viktor Yanukovich, com 9,36% dos votos, muito mais que o previsto pelas enquetes. Os principais políticos ucranianos no poder após a revolta no país, Yatseniuk e Poroshenko, começaram a negociar na segunda-feira a criação uma coalizão parlamentar e de governo que permita antecipar um ambicioso programa de reformas. A essa coalizão poderiam se juntar Sadovi e a ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, cujo partido Batkivschina conseguiu 5,7% dos votos. No entanto, uma fonte afirmou nesta terça-feira que ainda eles não foram convidados às consultas. Enquanto são divulgados os resultados finais e as negociações de coalizão avançam, os líderes das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk preparam as eleições locais do dia 2 de novembro, o que já representa um novo motivo de tensão entre Kiev e Moscou, acusada pelas autoridades ucranianas e pelo Ocidente de ajudar os rebeldes com armas e recursos. O presidente Poroshenko advertiu nesta terça-feira que essas eleições, ilegais para Kiev, prejudicarão o processo de paz aberto com as regiões rebeldes. "A posição do presidente a respeito das 'pseudoeleições' que os terroristas vão realizar e que nunca serão reconhecidas pelo mundo civilizado, anunciadas pelas autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk, é que colocam todo o processo de paz em risco", declarou o porta-voz de Poroshenko, Sviatoslav Tsegolko, em seu perfil no Facebook. Tsegolko acrescentou que essas eleições "não só não têm nada a ver com o protocolo de Minsk, de 5 de setembro (quando foi assinado um cessar-fogo entre os rebeldes pró-Rússia e Kiev), mas contradizem totalmente sua letra e seu espírito". Segundo o acordo assinado na capital de Belarus, no qual foi estabelecida uma trégua nos combates que causaram cerca de quatro mil mortes desde abril, seriam convocadas eleições locais para o dia 7 de dezembro nas duas regiões rebeldes, a fim de escolher seus órgãos de poder. Os insurgentes responderam rejeitando essa alternativa e convocaram seu próprio pleito para o dia 2 de novembro, além de não participarem das eleições legislativas ucranianas, que foram realizadas no domingo em todo o país. A Rússia, no entanto, já anunciou que reconhecerá os resultados das eleições de Donetsk e Lugansk. "Esperamos que as eleições sejam realizadas como foi combinado e certamente reconheceremos seus resultados", declarou nesta terça-feira o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov. Ele também disse que espera que "a manifestação da vontade seja livre e não haja tentativas de frustrá-la". A Rússia e os autoproclamados dirigentes separatistas entendem que as eleições para escolher os Parlamentos regionais e seus líderes fazem parte dos acordos de Minsk para a regulação do conflito no leste. Na nova Rada Suprema (Legislativo) ucraniana entrará também, como quinta força política, o Partido Radical, do populista Oleg Liashko, a favor de uma postura mais rígida com os insurgentes pró-Rússia em Donbass, a bacia mineira de Donetsk e Lugansk, com 7,46% dos votos. EFE bk-vh/vnm (foto)












