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Apostas no clima sob suspeita: secador de cabelo pode ter fraudado sensores em Paris

Investigações apontam possível manipulação de dados para obtenção de lucros elevados em plataforma internacional

Internacional|Do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Investigação na França apura possível manipulação de sensores meteorológicos em Paris com uso de um secador de cabelo.
  • Alterações nos dados de temperatura coincidiram com apostas bem-sucedidas na plataforma Polymarket.
  • Os picos de temperatura geraram desconfiança e levantaram suspeitas sobre intervenção humana.
  • Autoridades ainda não confirmaram a causa das anomalias, mas o volume de apostas aumentou significativamente.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Secador de cabelo pode ter sido usado para fraude em apostas na França Lari33/Pixabay

A França investiga a possível adulteração de sensores meteorológicos no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, após indícios de que equipamentos podem ter sido manipulados com o uso de um simples secador de cabelo para alterar medições de temperatura. A suspeita surgiu após registros estranhos coincidirem com apostas bem-sucedidas na plataforma Polymarket.

A hipótese do uso de um secador foi levantada por membros da associação climática Infoclimat, que monitoram dados em tempo real e identificaram picos abruptos incompatíveis com as condições meteorológicas. Embora ainda não confirmada oficialmente, a possibilidade reforça a suspeita de intervenção humana direta nos equipamentos.


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De acordo com a agência Météo-France, foi registrada uma queixa formal por interferência em um sistema automatizado de dados. A denúncia foi encaminhada à polícia aeroportuária, que abriu investigação para apurar responsabilidades.

Os episódios ocorreram nos dias 6 e 15 de abril. Em ambas as ocasiões, sensores registraram aumentos súbitos de temperatura, atingindo 22 °C, antes de retornarem rapidamente a níveis mais baixos. As medições destoavam do restante do dia, quando a temperatura média estava próxima de 18 °C.


As variações chamaram atenção inicialmente como possíveis falhas técnicas, mas passaram a ser tratadas como suspeitas após se repetirem em curto intervalo e sem justificativa climática plausível. No segundo episódio, além do aumento de temperatura, houve queda abrupta na umidade, o que também levantou dúvidas sobre a origem dos dados.

Paralelamente, usuários da Polymarket realizaram apostas prevendo exatamente esses picos. No dia 6, um apostador lucrou cerca de R$ 70 mil ao acertar a marca de 22 °C. No dia 15, outro usuário obteve mais de R$ 100 mil com previsões semelhantes.


Em alguns casos, os ganhos vieram de apostas com probabilidades inicialmente muito baixas, inferiores a 1%, e valores investidos reduzidos. Ainda assim, os retornos foram elevados, o que intensificou suspeitas sobre manipulação deliberada dos dados para favorecer determinados resultados.

O volume de negociações nesses dias também destoou do padrão. O mercado de “temperatura máxima em Paris” ultrapassou R$ 2,5 milhões em movimentação, mais que o dobro do habitual, indicando atividade incomum.


A plataforma Polymarket utiliza dados oficiais da Météo-France para liquidar apostas, o que torna qualquer alteração nos sensores potencialmente lucrativa. Além disso, o modelo baseado em criptomoedas e a ausência de exigência de identificação em parte dos usuários dificultam a rastreabilidade.

O caso reacende preocupações sobre os mercados de previsão, que permitem apostas em eventos reais, como clima, política e ações militares. Embora tenham ganhado popularidade, especialistas alertam para a vulnerabilidade desses sistemas à manipulação.

Autoridades francesas ainda não confirmaram a causa das anomalias, e o Ministério Público de Bobigny informou que as investigações estão em fase inicial. Enquanto isso, a referência de dados para apostas foi alterada, deixando de utilizar medições do aeroporto Charles de Gaulle.

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