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Marrocos usa ‘diplomacia migratória’ para pressionar Espanha, explica especialista

Priscila Caneparo lembra que algo semelhante já foi feito pelo governo de Rabat em 2022

Internacional|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A entrada de milhares de marroquinos em Ceuta pode estar ligada a fatores políticos e diplomáticos, segundo a especialista Priscila Caneparo.
  • Ceuta e Melilha são geograficamente na África, mas pertencem juridicamente à Espanha, o que complica a situação migratória.
  • A diplomacia migratória é usada por Marrocos para pressionar a Espanha, como já ocorreu em 2022 devido à questão do Saara Ocidental.
  • Investigações estão em andamento para entender se há financiamento por trás do aumento migratório e a influência de políticas internas espanholas.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

A entrada de milhares de marroquinos em Ceuta, cidade na Espanha, vai além de uma crise migratória comum e pode estar relacionada a fatores políticos e diplomáticos, explica a advogada especialista em Direito Internacional Priscila Caneparo, em entrevista ao programa Jornal da Record News da última sexta-feira (31).

Para a especialista, o aumento repentino do fluxo migratório levanta suspeitas sobre uma possível atuação do governo marroquino. Priscila lembrou que Ceuta e Melilha estão localizadas geograficamente na África, mas pertencem juridicamente à Espanha.


Um grupo de pessoas se reúne na água rasa de uma praia, enquanto soldados em uniforme observam de perto. À esquerda, um soldado está em pé sobre pedras, olhando para o grupo. As pessoas na água parecem estar conversando e algumas estão parcialmente submersas.
Aumento repentino do fluxo migratório levanta suspeitas sobre uma possível atuação do governo marroquino Reprodução/Record News

“Não é uma situação normal, não é uma situação corriqueira. Com certeza existe aí uma migration diplomacy, uma diplomacia migratória, que está sendo utilizada pelo governo de Rabat. Agora, se tem alguém financiando por trás ou não, a gente precisa aguardar para ver como é que vão se dar as investigações", disse Priscila ao comentar o aumento rápido e exponencial do número de migrantes fazendo a travessia em um curto período de tempo.

Ela pontua que a chamada diplomacia migratória é um instrumento de pressão internacional utilizado por Marrocos — como assim o fazem outros países — e tem como alvo maior a Espanha. Em 2022, uma situação semelhante ocorreu depois que o governo espanhol albergou em seus hospitais dirigentes da Frente Polisário, um grupo que briga com o Marrocos pela soberania do Saara Ocidental.


A especialista afirmou que ainda é cedo para apontar as causas definitivas da onda migratória e defendeu cautela até a conclusão das investigações. Outro elemento a ser considerado é a oposição ao primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, conhecido por uma política de acolhimento a refugiados. “A pergunta que se faz é justamente se essa teia de influxos de extrema-direita, de movimentos contrários à migração, está ou não patrocinando o governo do Marrocos. Esse é um ponto que a gente ainda não tem confirmação”, declarou.

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