Logo R7.com
RecordPlus

Argentina toma novas medidas após peso romper barreira psicológica

Internacional|Do R7

  • Google News

BUENOS AIRES, 7 Mai (Reuters) - A Argentina pediu nesta terça-feira que a classe média que aplica em dólares e investidores ricos que detêm ativos nos mercados internacionais declarem seus dólares por meio de um plano de anistia tributária, que tem como objetivo conter a depreciação da divisa argentina.

Argentinos têm buscado a segurança do dólares em vez de expor suas economias à alta taxas de inflação do país, estimada em cerca de 25 por cento por economistas do setor privado.


O banco central do país perdeu 9 por cento de suas reservas internacionais até agora neste ano, enquanto o peso cedeu 22 por cento de seu valor no mercado negro, segundo medições da Reuters.

O anúncio da anistia, que permite que os detentores de dólares comprem bônus para financiar projetos de infraestrutura e energia, veio horas após o peso fechar acima do nível psicologicamente importante de 10 por dólar norte-americano.


"Esperamos que essas medidas encorajem aqueles que têm economias não declaradas em dólares a utilizá-las para investir em instrumentos financeiros transparentes", disse o ministro da Economia, Hernán Lorenzino, em pronunciamento televisionado.

O peso perdeu 2,1 por cento e fechou na mínima recorde a 10,04 por dólar para compra no mercado negro, de acordo com medições da Reuters, marcando um spread de 93 por cento frente ao peso interbancário oficial, que era negociado a 5,21 pesos.


O governo da Argentina há um ano praticamente proibiu a compra de divisas estrangeiras para impedir saídas de capitais e garantir dólares para o pagamento das importações e quitação de dívidas.

A demanda por dólares aumentou devido a temores de que o peso possa começar a depreciar a um ritmo mais rápido. A Argentina tem um longo histórico de desvalorizações e crises econômicas.


Economistas dizem que investidores estão adiando projetos devido a incerteza financeira, que incluiu especulações sobre uma desvalorização após as eleições de outubro.

"Com esse nervosismo e após ultrapassar a barreira psicológica de 10 pesos, pode ser que a teoria econômica seja virada de pernas para o ar e isso desencadeie mais demanda, ou um efeito manada", disse o diretor da consultoria financeira Vatnet, Roberto Drimer.

"É um mercado relativamente pequeno, com forte demanda e ofertas que não são tão generosas quanto o esperado para este momento no ano", acrescentou Drimer.

A presidente da Argentina, Cristina Fernández, descartou a possibilidade de uma desvalorização em um discurso televisionado para todo o país na noite na segunda-feira, argumentando que a manobra favoreceria apenas exportadores e prejudicaria os mais pobres.

"Essas pessoas que têm como objetivo ganhar dinheiro com uma desvalorização à custa do povo terão de esperar por outro governo" disse ela.

(Reportagem de Walter Bianchi, Jorge Otaola e Hugo Bronstein)

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.