Artista chinês que fazia esculturas satirizando Mao Tsé-Tung é condenado à prisão
Gao Zhen ficou conhecido por suas obras satíricas do ex-líder chinês, criadas antes da lei sob a qual foi condenado
Internacional|Da Reuters
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O artista dissidente chinês Gao Zhen, conhecido por criar esculturas satíricas do ex-líder Mao Tsé-Tung, recebeu nesta terça-feira (25) a pena máxima de três anos de prisão por “difamar heróis nacionais e mártires”, segundo informaram sua esposa e um grupo de direitos humanos.
Gao, de 70 anos, que mora em Nova York, foi detido em agosto de 2024 durante uma visita à China vindo dos EUA e foi julgado no início deste ano em um julgamento a portas fechadas que durou um dia.
“Estamos indignados”, disse a esposa de Gao, Zhao Yaliang, à Reuters sobre a sentença proferida, que ocorreu no Tribunal Popular da cidade de Sanhe, na província de Hebei, vizinha à capital.
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“Desde que soube do veredicto, não consegui me recuperar... É devastador”, afirmou ela, acrescentando que Gao planeja recorrer.
Shane Yi, pesquisador do grupo Chinese Human Rights Defenders, que atua fora do país, pediu sua libertação.
“O tribunal agora o condenou a três anos... por obras de arte que ele criou em 2005, cerca de 16 anos antes mesmo de a lei sob a qual foi acusado existir”, disse Yi. “O único desfecho que respeita os direitos de Gao Zhen é sua libertação imediata e incondicional.”
O tribunal não respondeu a uma ligação solicitando comentários fora do horário comercial.
Junto com seu irmão, Gao Qiang, Gao produziu várias esculturas de Mao que criticavam a Revolução Cultural de 1966-1976, um período de turbulência social e perseguição política generalizada na China que resultou em milhões de mortes.
Entre suas obras mais famosas estão “Miss Mao”, que retrata Mao com traços inquietantes, como nariz de Pinóquio e seios, e “A Culpa de Mao”, uma estátua de bronze do líder ajoelhado em sinal de remorso.
Gao foi acusado com base na “Lei de Proteção aos Heróis e Mártires” da China, que entrou em vigor em 2018 e foi reforçada em 2021, por obras de arte criadas entre 2005 e 2009, conforme Yi havia informado anteriormente à Reuters.
A lei já havia sido usada anteriormente para processar indivíduos acusados de insultar militares que morreram no cumprimento do dever, bem como figuras históricas.
“Ao aplicar uma lei retroativamente e realizar um julgamento a portas fechadas que excluiu até mesmo sua própria família, as autoridades chinesas demonstraram exatamente o quão pouco estão dispostas a garantir o devido processo legal”, afirmou Yi na terça-feira.
Vários diplomatas ocidentais tiveram a entrada barrada no julgamento, segundo Zhao, que tomou conhecimento do veredicto por meio do advogado de Gao e afirmou que ela e seu filho, cidadão norte-americano, foram impedidos de deixar a China desde a detenção dele, há dois anos.
O Departamento de Estado dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a sentença de Gao e as proibições de saída impostas à sua família.
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