Austrália teme retorno dos combatentes australianos da Síria
Internacional|Do R7
Rocío Otoya. Sydney (Austrália), 15 dez (EFE).- A Austrália teme o retorno dos combatentes australianos treinados no uso de armas e explosivos na guerra civil da Síria perante o perigo que no futuro cometam atentados em seu país. A Organização de Inteligência e Segurança da Austrália (ASIO, na sigla em inglês) afirmou em seu último relatório que atualmente há 200 pessoas de nacionalidade australiana que combatem no conflito sírio (enquanto os relatórios policiais baixam o número a uma centena de combatentes). Do total, pelo menos, quatro teriam morrido em combate. A inteligência australiana advertiu da possibilidade que os extremistas retornem ao país para atentar contra alvos ocidentais ou durante a cúpula de líderes do Grupo dos Vinte (G20) que será realizada em 2014 na cidade de Brisbane. "São cidadãos australianos e não podemos tirar sua cidadania (...) Se foram combater, não podemos evitar seu retorno ao país", comentou o ex-ministro de Relações Exteriores Bob Carr, em recente entrevista à televisão. As autoridades australianas, amparadas pelas leis que proíbem seus cidadãos de se aliar a conflitos armados no exterior, detiveram no começo do mês duas pessoas relacionadas com a guerra civil na Síria. Um deles pretendia viajar ao país do Oriente Médio, enquanto um segundo foi acusado de organizar os deslocamentos até a Síria e de permanecer em contato com grupos extremistas relacionados a Al Qaeda. O serviço de inteligência australiano também cancelou os passaportes de pelo menos 20 muçulmanos residentes em Sydney pelo temor de que viajem para participar de atos "violentos de motivação política". O advogado que os representa, Zali Burrows, disse ao jornal "The Sydney Morning Herald" que alguns dos acusados pretendiam passar férias em Bali ou viajavam para visitar parentes doentes. "Estamos sendo tratados de forma injusta. Meus antecedentes estão limpos, brilham como o ouro. Eu não sou um criminoso", disse à agência "Fairfax" Abu Bakr, de 19 anos, classificado pelas autoridades australianas como suspeito. A maioria dos australianos que querem chegar à Síria, via Turquia ou pelo Líbano, foram recrutados pela Frente al-Nusra e Jabhat al Nusr, grupos filiados a Al Qaeda. O perfil do combatente na Síria coincide muitas vezes com a de um "imigrante de primeira ou segunda geração" de origem libanesa que não se sente totalmente integrado à Austrália e acha que sua luta pode contribuir para o mundo e se transformar em alguém importante", explicou à Agência Efe David Mallet, especialista em relações internacionais da Universidade de Melbourne. Mallet, autor do livro "Combatentes estrangeiros: Identidade transnacional em conflitos civis", lembrou que um grupo de homens que combateu na Somália, vinculados aos terroristas de Al-Shabab, planejava um ataque em 2009 contra um quartel militar australiano. "Com menos ataques suicidas na Síria em comparação ao Iraque, os combatentes têm mais possibilidades de sobreviver" e o medo é de que estes possam pôr em prática na Austrália os conhecimentos aprendidos sobre o uso de armas e explosivos, disse o professor. Segundo Mallet, alguns dos jihadistas poderiam retornar à Austrália após um eventual fim do conflito na Síria ou, caso contrário , perante um panorama de rejeição em seu próprio país, seguir buscando seu 'modus vivendi' (termo em latim que significa um acordo entre partes cujas opiniões diferem) em outras guerras, como aconteceu com outros combatentes que se deslocaram do Afeganistão à Somália ou à Chechênia. EFE wat/cdr-rsd











