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Avanços tecnológicos ajudam a Efe na busca pelo melhor jornalismo

Internacional|Do R7

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Emilio Crespo. Madri, 3 jan (EFE).- Quando uma gigantesca avalanche provocada pela erupção do vulcão Nevado del Ruiz soterrou a cidade colombiana de Armero e seus 23 mil habitantes, os primeiros jornalistas a pisar no local se sentiram tocados pela tragédia e impotentes pela falta de meios de contar a triste história. Era novembro de 1985 e embora os satélites de comunicação já estivessem em uso, eram inacessíveis para a imprensa, e além disso, o barro havia destruído os cabeamentos de telefones e eletricidade. Dessa forma, os jornalistas, inclusive os da Agência Efe, precisavam caminhar durante horas até encontrar um local com linha telefônica para transmitir suas informações. A obrigação de produzir e publicar com rapidez para todos os cantos do mundo foi sempre o principal compromisso das agências internacionais de notícias, e honrar esse princípio mesmo nas condições mais adversas sempre foi um dos maiores desafios da Efe em seus 75 anos de história. Os jornalistas da empresa encontraram nos avanços tecnológicos o maior aliado do trabalho cotidiano de informar, e sobretudo, na cobertura de eventos mais traumáticos, como terremotos, guerras e golpe de Estado, ou em conferências internacionais que mais chamaram a atenção da humanidade. Uma década depois do desaparecimento de Armero, os correspondentes da Efe aos Balcãs, contavam com um instrumento formidável para quem precisa se movimentar pela desolação de um conflito armado, e narrá-lo no dia a dia: os transmissores de satélite, um equipamento pesado e valioso. Com eles, os jornalistas marcaram presença nas montanhas de Tora Bora, no Afeganistão, na cobertura enorme e fracassada operação dos Estados Unidos para encontrar Osama Bin Laden em 2001. Também a marcha de Laurent Kabila pelo Congo para derrubar Mobutu Sese Seko em 1997. Com este transmissor ainda por ser inventado, o jornalista que viu a morrer a pequena Omayra Sánchez, em Armero, levou quase uma hora para poder contar ao mundo que havia se apagado a chama de esperança que imagens de televisão levaram para todo o mundo. Embora lentos, aqueles teletipos, instalados com linhas permanentes, permitiam às agências distribuir notícias de forma universal e instantânea, vantagem que foi perdida com os meios de imprensa digitais, blogueiros e redes sociais. Até 1979, o aparelho manteve sua idade de ouro na Efe, até que foram instalados os primeiros terminais de computador, em que corrigir um texto com rapidez já não exigia decifrar a fita perfurada do teletipo. As fotografias e imagens de televisão, por sua vez, demorariam alguns anos ainda para aparecer nas telas de computadores das redações. Em 2011, quando o Japão foi assolado pelo terremoto que atingiu a usina nuclear de Fukushima, a internet já tinha mudado radicalmente o universo informativo. Os correspondentes da Efe não demoraram mais que alguns minutos para transmitir vídeos a partir de Tóquio e outras regiões assoladas pela catástrofe natural, que provocou milhares de mortes. As imagens foram gravadas com minicâmeras de alta definição, incorporadas pela agência em 2007. Além disso, uma simples 'webcam' tornou possível contar ao vivo os efeitos do terremoto para emissoras de televisão da Espanha, Estados Unidos e América, nas primeiras horas da tragédia. Na última década, as cada vez mais ágeis tecnologias 'wi-fi' e de dados móveis revolucionaram o trabalho de captar, editar e transmitir imagens ou textos. Por outro lado, antes da adoção das câmeras digitais profissionais, nos anos 90, as coberturas mais longínquas obrigavam o transporte de pesado material de laboratório de fotografia, e a improvisação de um quarto escuro no banheiro do hotel. Dos muitos aparatos que nos últimos 75 anos tornaram cada vez mais curta a distância entre o jornalista e a informação, o computador portátil foi, para muitos, o mais importante, o principal expoente de que a tecnologia é o melhor amigo da notícia. Em 1989, os jornalistas da Efe já utilizavam o "Tandy 100", uma tela de oito linhas capaz de transmitir através do telefone, mas cuja bateria não tinha capacidade de resistir a longos discursos. Nestes casos, a notícia tinha que ser enviado de táxi para a redação, um avanço para quem tinha bicicletas como meio de transporte. Nos anos 40, não eram imagináveis os avanços tecnológicos que a profissão experimento só entre a primeira Guerra do Golfo em 1991 e a segunda em 2003, quando passou a existir a publicação direta na internet e os telefones portáteis via satélite. Estas equipes de jornalistas e seus equipamentos, que a Agência Efe tem hoje em 33 pontos de cobertura, são o melhor talismã contra aquele velho ditado do jornalismo: ter uma notícia e não poder transmiti-la é não ter nada. EFE ecs/bg (foto)

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