Baleias azuis são rastreadas através de seu canto na Antártida
Internacional|Do R7
Rocío Otoya. Sydney (Austrália), 28 mar (EFE).- Os cientistas conseguiram captar até 26.545 cantos de baleia azul na Antártida, em um estudo para no qual utilizaram pela primeira vez técnicas acústicas de detecção e acompanhamento deste grande cetáceo. O trabalho foi realizado por pesquisadores da Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Chile, Estados Unidos, França, Noruega, Reino Unido, África do Sul e Nova Zelândia, que participam do Projeto Baleia Azul na Antártida, dedicado ao maior animal do mundo. Cerca de 18 especialistas em acústica e em etiquetagem de cetáceos, assim como engenheiros e observadores, partiram em janeiro para uma viagem de sete semanas rumo ao Mar de Ross com o objetivo de colocar dispositivos acústicos e estudar a população, distribuição e comportamento destas baleias. Os resultados foram 626 horas de sons de baleias azuis, registradas em tempo real e que incluem 26.545 cantos destes animais, explicou o chefe dos especialistas em sons marítimos, Brian Miller, da Divisão Australiana na Antártida. Segundo o cientista afirmou em comunicado, a baleia azul (Balaenoptera musculus) tem um som profundo e ressonante que é possível captar a centenas de quilômetros sob as águas. Através das técnicas utilizadas durante a travessia, os especialistas puderam gravar os sons e ver a posição das baleias a partir dos barulhos para que os pesquisadores pudessem se dirigir rumo a elas. Na Antártida é muito raro ver uma baleia azul, mas a equipe científica conseguiu colher 57 fotografias de identificação e 23 biópsias. Os cientistas também puderam etiquetar com dispositivos via satélite dois exemplares, o que permitirá obter informações das baleias como seus velozes movimentos longitudinais durante o verão austral e seus padrões alimentícios no gelo antártico, indicou a especialista em etiquetamento de cetáceos Virgínia Andrews-Goff. "Este método para estudar as baleias azuis antárticas foi tão bem-sucedido que se transformará de agora em adiante em um modelo para outros tipos de estudos sobre cetáceos no mundo todo", comentou o especialista no comunicado da Divisão Australiana na Antártida. Desde a Austrália, foi destacado o uso destas técnicas não letais de pesquisa de cetáceos, em alusão ao suposto programa científico que o Japão usa para caçar baleias em mares antárticos, mas que segundo organizações conservacionistas esconde fins comerciais. A baleia azul pode chegar a medir mais de 30 metros de comprimento e pesar 180 toneladas, sua língua é mais pesada do que um elefante e o tamanho de seu coração é parecido ao de um carro pequeno. "Até o maior dinossauro é menor que uma baleia azul", destacou o ministro australiano do Meio Ambiente, Tony Burke. Este cetáceo esteve a ponto de ser extinto no século XVII, período no qual se matou cerca de 340.000 exemplares. Os dados e conclusões desta travessia serão compartilhados com a Comissão Internacional Baleeira para contribuir na conservação e a recuperação da população de baleias azuis antárticas. A Comissão calculou que no ano 2000 a população de baleias azuis no Hemisfério Sul era de entre 400 e 1.400 exemplares. EFE watt/ff/rsd (foto)











