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Bangladesh acusa 16 pessoas por morte de jovem queimada viva

Os detidos, entre eles Siraj ud Daul, um dos principais professores da escola, foram acusados pelos crimes de homicídio e instigação ao crime

Internacional|Da EFE

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Nusrat denunciou assédio sexual na escola
Nusrat denunciou assédio sexual na escola

A polícia de Bangladesh apresentou nesta quarta-feira (29) acusações contra 16 pessoas pela morte de uma mulher de 19 anos que foi queimada viva após ter acusado o diretor de uma escola islâmica de assédio sexual.

O assassinato de Nusrat Jahan Rafi, que morreu por causa das queimaduras sofridas na terraço de seu colégio, provocou protestos em todo o país, promovidos por grupos de defesa dos direitos humanos que denunciaram o aumento dos abusos contra as mulheres.


"Hoje apresentamos acusações contra 16 pessoas na corte, recomendando o maior castigo. Levamos em consideração os 92 testemunhos ouvidos antes de apresentar as acusações", disse à Agência Efe o chefe do Escritório de Investigação da Polícia, Banaj Kumar Majumder.

O investigador principal do assassinato, o agente Mohammad Iqbal, antecipou à Agência Efe que os detidos, entre eles Siraj ud Daul, um dos principais professores da escola, foram acusados pelos crimes de homicídio e instigação ao crime.


"Além do acusado principal, Siraj foi acusado de ordenar o assassinato. Cinco pessoas foram acusadas de participação direta no assassinato e outras por incitar o crime", disse.

O ataque à jovem Nusrat aconteceu em 6 de abril, quando vários indivíduos vestidos com burcas, entre eles pelo menos duas companheiras de sala, a enganaram para que fosse ao terraço do colégio, onde exigiram que retirasse a denúncia de assédio sexual contra o diretor do centro.


Ao se negar a retirar a denúncia, o grupo jogou querosene e ateou fogo na vítima. Nusrat morreu quatro dias depois em um hospital após ter sofrido queimaduras em 80% do corpo.

O irmão da jovem, Mahmudul Hassan, explicou à Efe que depois do ataque, quando ia de ambulância ao hospital com Nusrat, ela disse que "os agressores a pressionaram para que retirasse a denúncia".


O testemunho de sua irmã foi gravado com o telefone celular.

Os criminosos tentaram fazer parecer que Nusrat havia tentado o suicídio, segundo a polícia.

Organizações locais como Odhikar asseguram que em 2018 pelo menos 47 mulheres, incluídas 32 menores, morreram após serem estupradas em Bangladesh e que foram registrados 635 abusos sexuais.

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