Bersani começa "Via Crucis" para tentar formar um governo na Itália
Internacional|Do R7
Cristina Cabrejas. Roma, 23 mar (EFE).- O líder da coalizão de centro-esquerda na Itália, Pierluigi Bersani, enfrenta a partir deste sábado uma autêntica "Via Crucis", com dezenas de reuniões nos próximos dias, na tentativa de buscar um consenso entre os demais partidos políticos do país para conseguir uma maioria no Senado e poder assim governar. Bersani recebeu ontem do presidente da República, Giorgio Napolitano, a incumbência de "explorar" se conta com os apoios possíveis para formar um governo no complicado cenário político surgido após as eleições gerais. A coalizão de centro-esquerda foi a mais votada no pleito dos dias 24 e 25 de fevereiro e tem a maioria absoluta na Câmara dos Deputados, mas não no Senado, e é necessário que receba os votos de confiança (posse) de ambas as câmaras para poder governar. O líder da centro-esquerda e secretário do Partido Democrata (PD) se reunirá hoje e amanhã com as partes sociais: grupos do mundo do voluntariado, representantes das prefeituras, associações empresariais, a entidade patronal italiana (Confindustria) e os principais sindicatos. Na segunda-feira começarão as reuniões com os partidos políticos para tentar convencê-los da necessidade de formar um governo para aprovar algumas medidas urgentes que o país precisa, entre elas a reforma da lei eleitoral, considerada o principal culpado da ingovernabilidade que gerada após as eleições. A imprensa italiana cogita várias hipóteses para que Bersani consiga a posse, como a de ele convencer algumas forças políticas a que alguns de seus senadores não se apresentem à votação, reduzindo assim o quórum necessário. Essa hipótese não agrada Napolitano, que quer que Bersani lhe apresente as contas bem feitas. A centro-esquerda, com 119 senadores, necessita do apoio de 160 (o Senado é composto por 315 senadores e 4 vitalícios) para ter a maioria necessária para receber a posse na câmara alta. Bersani pode contar com os 21 da chapa de Mario Monti se conseguir convencê-los com seu programa político, assim como com os 7 do Partido Popular Sudtirolês (SVP), mas ainda lhe faltariam 20 votos para obter a maioria. O Movimento 5 Estrelas, com seus 54 senadores, reiterou em várias ocasiões que não vai colaborar com nenhum partido. Por isso, entrará em jogo tanto a Liga Norte (que conta com 16 senadores) como o partido de Silvio Berlusconi, o Povo da Liberdade (PDL), segunda maior força no Senado, com 110 senadores. Berlusconi deixou claro que está disposto a apoiar o governo de Bersani, mas pôs na mesa de negociações como contrapartida que o próximo presidente da República, que será escolhido no dia 15 de abril, tenha que vir da centro-direita. "Me reunirei com as forças parlamentares e políticas com ideias claras, com poucas palavras e intenções precisas sobre os caminhos de reforma. Irei com minhas ideias", disse o líder do PD após receber a incumbência de Napolitano. Após sua "Via Crucis", Bersani poderá se reunir já na quarta-feira com Napolitano para lhe informar se suas consultas tiveram sucesso. Se mostrar que tem os apoios necessários para receber o voto de confiança, as votações podem começar na semana que vem, primeiro na Câmara dos Deputados e depois no Senado. EFE ccg/id











